Outubro é o mês em que o Japão muda de estação. A temporada de tufões termina, o ar seca depois do dia 15 e o céu abre. A média cai de 22 °C para 16 °C ao longo das semanas. As folhas vermelhas começam pelo norte e pelas montanhas, e Quioto ainda está verde.
Duas metades de um mesmo mês
Em Tóquio, a média desce de 22 °C no começo para 16 °C no fim. A chuva ainda é alta, cerca de 230 mm, mas está concentrada na primeira quinzena, herança do fim da temporada de tufões. Depois do dia 15, o ar fica seco e o céu azul é regra. A diferença é visível a olho nu: os contornos dos prédios ficam nítidos, e o Fuji reaparece no horizonte de Tóquio.
Na prática, isso desenha um mês em dois tempos:
- Primeira metade: calor residual, umidade, chance de uma última chuva forte. Funciona para quem gosta de ruas mais vazias e tolera algum mormaço.
- Segunda metade: o intervalo mais estável do ano para caminhar. Manhãs frescas, tardes agradáveis e noites que pedem um casaco leve.
Quem pode escolher, prefere a segunda metade. Quem não pode, deve levar guarda-chuva dobrável nos primeiros dias e roupas em camadas durante todo o mês.
As festas de outubro
Outubro é mês de festas de colheita e de cidades históricas. Três delas ajudam a ler o calendário:
- Festival de Outono de Takayama, 9 e 10. Carros alegóricos de madeira e laca, guardados o ano inteiro, saem pelas ruas da cidade velha. É uma das festas mais fotografadas do país, e ocorre em uma cidade que a casa inclui nas duas jornadas.
- Jidai Matsuri, em Quioto, dia 22. Um desfile de figurantes em trajes de épocas diferentes, da antiguidade ao século XIX, atravessa o centro da cidade.
- Kurama no Hi Matsuri, na noite do dia 22. Na vila de Kurama, ao norte de Quioto, moradores carregam tochas enormes pelas ruas estreitas. É uma noite de fogo e multidão, difícil de acessar.
O mês tem ainda um hábito urbano novo: o Halloween, que em Shibuya, em Tóquio, reúne multidões fantasiadas no fim do mês. Quem não quer esse movimento deve evitar a região do cruzamento no último fim de semana.
Onde as folhas viram primeiro
A mudança de cor segue uma regra simples: avança do norte para o sul e das montanhas para a planície. Em outubro, ela é só um começo.
- Hokkaido e os Alpes japoneses estão entre os primeiros a mudar, em geral no começo do mês.
- Nikko e as regiões altas ao norte de Tóquio costumam atingir o auge na segunda metade. Veja Nikko para o que há por lá.
- Quioto, Tóquio e Hiroshima ainda estão verdes em outubro. O vermelho de verdade chega em novembro.
Isso desfaz uma expectativa comum. Quem imagina Quioto de vermelho em outubro vai encontrar o verde de fim de verão com um ou outro bordo avermelhado. Para o vermelho, o guia de Japão em novembro é o caminho.
A mesa e a estrada de outubro
Outubro é mês de colheita, e a mesa muda antes da paisagem. Entram em cena a castanha, o caqui, o cogumelo matsutake e o sanma, peixe longo e prateado que se grelha inteiro com um pouco de sal e se come com daikon ralado. Restaurantes de cozinha de estação trocam o cardápio quase de uma semana para outra. Para entender o que aparece na mesa fora do sushi, veja comida japonesa além do sushi.
Em Nikko, a estrada Irohazaka, que sobe da cidade ao lago Chuzenji, tem 48 curvas fechadas, cada uma identificada por uma sílaba do alfabeto antigo. É um dos pontos em que a mudança de cor aparece primeiro, e o trânsito de fim de semana pode ser lento. Por isso, Nikko funciona melhor em dia útil e com saída cedo. O lago Chuzenji, no alto, fica a mais de 1.200 m de altitude, e a temperatura ali é vários graus menor que na cidade: leve o casaco, mesmo em dia de sol.
Vestir em camadas
O que define outubro no armário é a variação ao longo do dia e do mês. Uma manhã de 12 °C e uma tarde de 20 °C pedem camisa, suéter fino e um corta-vento leve que cabe na bolsa. O sol se põe perto das 17 horas na segunda metade do mês, e a noite chega mais cedo do que o viajante brasileiro espera. Isso muda o ritmo: os passeios de fim de tarde precisam começar mais cedo, e a luz baixa, que dá ótimas fotos, dura pouco. A lista completa está em o que levar para o Japão.
O que outubro resolve e o que não resolve
Outubro resolve o calor úmido e o risco de tufão, que somem na segunda metade. Resolve também a multidão de novembro: Quioto está cheia, mas ainda longe do pico.
Não resolve a expectativa de ver o Japão vermelho nas cidades clássicas. Também não resolve o feriado do Dia do Esporte, na segunda segunda-feira do mês, que forma um fim de semana prolongado e lota trens e atrações. Quem quer ver Quioto e Tóquio com folhagem deve esperar novembro; quem quer clima estável e menos gente tende a gostar de outubro.
Para quem divide a decisão entre outubro e novembro, vale ler Quioto ou Tóquio: quantos dias, porque o ritmo de cada cidade muda com a estação.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A casa tem duas jornadas ao Japão. Japão e Coreia do Sul tem uma saída pensada para o outono japonês, e a página mostra as datas reais; ela atravessa Tóquio, Hakone, Takayama, Quioto, Hiroshima e Okinawa, e continua por Seul, Gyeongju, Busan e Jeju. Japão Kizuna segue o mesmo desenho japonês, sem a parte coreana.
Se outubro é a sua janela, abra o bloco de datas e confira se alguma saída cai no mês. A página nunca deve ser lida como promessa de saída em outubro, e o que ela mostra vale mais do que qualquer texto de guia. Para a parte prática, trens e transporte no Japão explica como as cidades se ligam.