Em um roteiro de duas semanas, a divisão que costuma funcionar é de quatro a cinco noites em Tóquio e de três a quatro em Quioto, com Osaka, Nara e Hakone como apoio. Tóquio pede mais dias porque são muitas cidades numa só; Quioto pede ritmo. Dar menos de duas noites a qualquer uma é o erro mais comum.
Por que as duas pedem tempos diferentes
Tóquio é uma metrópole de bairros que funcionam quase como cidades separadas. Asakusa guarda o Japão antigo, com templo e ruas comerciais; Ueno tem parque e museus; Meiji é um santuário no meio de um bosque; Harajuku e Shibuya são o Japão jovem e visual; Ginza é a elegância das lojas. Cada bairro pede meio dia, e a distância entre eles é feita de metrô, não de caminhada.
Quioto é o contrário. É uma cidade de escala média, em que cada visita é concentrada: templo de madeira em colina, jardim de musgo, vielas do bairro de Gion, corredores de torii vermelhos no Monte Inari. O que consome tempo em Quioto não é a distância, é a demora: quem corre perde justamente o que a cidade tem de melhor.
Uma divisão por tamanho de viagem
Estas divisões são regras de bolso, não promessas de roteiro:
- Oito dias: três noites em Tóquio, três em Quioto, uma em Osaka ou em Hakone. É o mínimo para não sentir que se pulou uma das duas.
- Doze dias: quatro noites em Tóquio, quatro em Quioto, uma em Hakone para ver o Fuji e duas entre Nara e Osaka. O trem-bala liga Tóquio e Quioto em cerca de duas horas e meia.
- Quinze dias: cinco em Tóquio, quatro em Quioto, duas em Osaka com um dia em Himeji, uma noite nos Alpes japoneses ou em Hakone, e duas noites de margem para um dia livre.
A conta muda com o objetivo. Quem se interessa por arquitetura e templos gasta mais em Quioto; quem se interessa por gastronomia, compras e vida urbana gasta mais em Tóquio.
Osaka, Nara e Hakone como apoio
Osaka fica a cerca de meia hora de trem de Quioto e funciona como cidade de contraste: comida de rua, rios, vida noturna. Vale uma ou duas noites, ou apenas um dia visto de Quioto. Veja a página sobre Osaka.
Nara cabe em meio dia saindo de Quioto. É o parque dos cervos soltos e do grande templo de madeira, e combina bem com a ida a Osaka ou com a saída da cidade.
Hakone é a escala de montanha, a cerca de uma hora e meia de Tóquio, com teleférico, lago e vista do Monte Fuji quando o tempo ajuda. Uma noite basta; duas rendem mais, porque o primeiro dia sofre com a névoa que costuma tapar o monte. Veja o guia do Monte Fuji e de Kawaguchiko.
Quando a ordem importa
Chegar por Tóquio e partir por Osaka evita voltar à capital, e ainda aproveita que o aeroporto de Osaka recebe voos internacionais. Quem inverte, chegando por Osaka, tem a vantagem de começar pela cidade menos intensa. A escolha depende mais do voo do que da vontade: confira os horários de chegada e saída antes de fechar a ordem. O guia de trens e transporte no Japão explica como se organiza a ligação entre as cidades.
Um dia modelo em cada cidade
Em Tóquio, um dia equilibrado começa cedo em Asakusa, antes que as ruas de comércio encham, segue de metrô até o Parque Ueno e termina em Shibuya, no cruzamento e no mirante Shibuya Sky, ao entardecer. Outro dia pode juntar o Santuário Meiji, Harajuku e Ginza. Dois dias assim, mais um livre, já formam uma primeira Tóquio honesta.
Em Quioto, o começo da manhã é para Fushimi Inari, onde os corredores de torii ficam quase vazios, seguido do Templo Kiyomizu-dera e do Castelo de Nijo. O fim de tarde pertence a Gion, com as casas de madeira e o Santuário Yasaka. Reservar outro dia para uma cerimônia do chá e para o trem panorâmico de Sagano, nos arredores, completa o essencial sem pressa.
A lógica é a mesma nas duas: cedo para o que lota, tarde para o que é bairro.
Bagagem e trem
Uma dúvida frequente é como lidar com as malas ao trocar de cidade. Os trens-bala aceitam mala de tamanho médio, mas as estações têm escadas e corredores longos, e em horário de pico o vagão fica apertado. Por isso, muitos viajantes usam o serviço de envio de bagagem de hotel a hotel, que costuma levar a mala em um dia, e viajam só com uma bolsa. Confirme com o hotel a disponibilidade, o prazo e o custo antes de contar com ele.
Erros comuns
- Um dia só em Quioto: é o pior erro. Um dia permite dois templos e um jardim, sem ver Gion ao entardecer nem Fushimi Inari de manhã cedo.
- Fazer Quioto como bate-volta de Tóquio: são cerca de cinco horas de trem entre ida e volta, fora o cansaço. O custo é maior do que o ganho.
- Trocar de hotel toda noite: cada mudança consome uma manhã, mesmo com envio de bagagem. Prefira duas bases, e use trens para os dias de apoio.
- Ignorar a época: nas semanas das cerejeiras e das folhas de outono, Quioto fica cheia, e os templos mais famosos pedem horário cedo. Reserve uma manhã de margem para isso.
- Só templos: o roteiro fica monótono. Misture um dia de museu, um de mercado e um de caminhada.
Quando nenhuma das duas serve
Quem não gosta de cidade grande pode achar Tóquio exaustiva e Quioto cheia. Nesses casos, a região dos Alpes japoneses, com Takayama e Shirakawa-go, ou a cidade de Kanazawa podem ser alternativas. Quem tem apenas uma semana deve escolher uma das duas cidades como centro e deixar a outra para uma segunda viagem.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A jornada Japão e Coreia do Sul reserva três noites em Tóquio, entre Asakusa, Ueno, o Santuário Meiji, Harajuku, Ginza e Shibuya, seguidas de duas em Hakone, duas em Takayama e três em Quioto, com cerimônia do chá, castelo de Nijo, Fushimi Inari e um dia em Nara a caminho de Hiroshima. Há ainda o Japão Kizuna, de 18 dias, que vai dos templos de Quioto aos letreiros de Tóquio. As duas partem da mesma ideia: menos bases, mais tempo em cada uma.