Castelo de Himeji: o castelo branco entre Osaka e Hiroshima
Himeji guarda um dos castelos feudais mais bem conservados do Japão, em madeira e reboco branco. Cabe em meio dia, a cerca de meia hora de trem-bala de Osaka.
O Castelo de Himeji é um dos castelos feudais mais bem conservados do Japão: uma fortaleza de madeira e reboco branco, na província de Hyōgo, a cerca de meia hora de trem-bala de Osaka. Cabe em meio dia, no caminho entre Osaka ou Kyoto e Hiroshima, e pede sapato fácil de tirar e fôlego para escadas íngremes.
O castelo em fatos
Himeji-jō ergue-se sobre uma colina no centro da cidade de Himeji, a oeste de Osaka. Os japoneses o chamam também de Shirasagi-jō, o Castelo da Garça Branca, pelo branco das paredes e pelo desenho dos telhados, que lembra uma ave de asas abertas. A torre principal, o tenshu, data do início do século XVII. O conjunto foi inscrito pela Unesco como Patrimônio Mundial em 1993, entre os primeiros bens japoneses a receber o título.
Dois detalhes explicam o interesse. O primeiro é que a madeira é original. Os castelos de Osaka, Nagoya e Hiroshima, por exemplo, têm torres reconstruídas em concreto no século XX; Himeji atravessou guerras, incêndios e terremotos de pé. O segundo é que o castelo foi desenhado para ser difícil de alcançar. Quem sobe encontra três fossos, portões em sequência e caminhos em espiral que se afastam da torre antes de se aproximar dela, de modo que o invasor andasse em círculos sob a mira dos defensores. Nas paredes, as seteiras têm formas de círculo, triângulo e quadrado.
Por fora, a torre mostra cinco andares; por dentro, são seis, mais um subsolo. O reboco branco passou por uma restauração de cerca de cinco anos, concluída em 2015, e por isso o castelo hoje aparece mais claro do que em fotos antigas.
Como é a visita por dentro
O percurso começa no portão da frente e sobe por rampas, pátios e portões até a torre. Conte de uma hora e meia a duas horas só para o castelo, e mais uma hora se o jardim Kōko-en, ao lado, entrar no dia. O jardim reúne nove áreas de estilos diferentes, com lagos, cascata e casa de chá, e foi construído em 1992 sobre o terreno de antigas residências de samurais.
Dentro da torre, o visitante tira os sapatos e recebe uma sacola para carregá-los. O interior é de madeira nua e sem móveis: vigas grossas, pilares inteiriços, suportes de armas nas paredes. Os degraus são estreitos e inclinados, e a subida é num só sentido, em fila. No último andar, a vista abre sobre os telhados do castelo e a cidade. Há corrimão em boa parte do trajeto, mas quem tem joelho sensível deve contar com a inclinação e ir sem pressa. O guia de etiqueta no Japão explica o gesto de tirar os sapatos, que se repete em muitos lugares.
Como encaixar entre Osaka, Kyoto e Hiroshima
A estação de Himeji fica na linha do trem-bala Sanyo. De Shin-Osaka, os trens mais rápidos que param ali levam perto de meia hora; os trens rápidos comuns, em torno de uma hora. De Himeji a Hiroshima, o trem-bala leva cerca de uma hora. Da estação ao castelo são uns quinze minutos a pé pela avenida Otemae-dōri, uma reta larga em que a torre aparece ao fundo desde a saída.
Há duas formas de encaixar a visita:
- Bate e volta saindo de Osaka. Sai-se cedo, volta-se à tarde e sobra tempo para ver Osaka à noite.
- Parada no meio da travessia. Quem vai de Osaka ou Kyoto para Hiroshima desce em Himeji, deixa a bagagem nos armários da estação, visita o castelo e segue no trem seguinte.
A segunda forma poupa uma ida e uma volta, mas exige que a mala caiba num armário de estação e que o horário do trem de destino esteja combinado. Bilhetes, reserva de assento e bagagem estão no guia de trens e transporte no Japão.
Quando ir
Na primavera, o parque do castelo se enche de cerejeiras, cerca de mil, e a floração costuma cair entre o fim de março e o começo de abril; o guia do hanami trata do calendário. É também a época de maior fila, e o castelo branco com flores é uma das imagens mais fotografadas do Japão. O outono traz folhas avermelhadas nos jardins e céu limpo. O verão é quente e úmido, com a estação de chuvas por volta de junho, e o interior de madeira abafa. O inverno é frio, seco, com céu claro e poucos visitantes.
Em qualquer estação, a regra é a mesma: chegar na abertura. Fins de semana, feriados e a Golden Week, do fim de abril ao começo de maio, enchem o castelo desde cedo, e a subida pelas escadas internas vira fila. Para o panorama das estações, veja quando ir ao Japão.
Erros comuns
- Ver só por fora. Muita gente tira a foto do portão e vai embora. O que distingue Himeji é o interior de madeira original e a lógica do percurso.
- Subir com mala grande. Os armários da estação resolvem. Dentro do castelo, bagagem atrapalha a fila nas escadas.
- Chegar no fim da tarde. A última entrada fecha antes do castelo, e a visita completa pede mais de uma hora.
- Imaginar um museu mobiliado. Os cômodos são amplos e vazios, e a graça está na estrutura, nas vigas e nos detalhes de defesa.
- Calçado difícil. Quem usa botas de cano alto ou sapato com cadarço complicado perde tempo à porta.
Himeji e as jornadas da Govinda
O roteiro Japão e Coreia do Sul percorre, nesta ordem, Tóquio, Hakone, Takayama, Kyoto, Nara e Hiroshima. No trecho entre Nara e Hiroshima, o texto do programa registra apenas o trem-bala: não há parada em Himeji. A linha do trem-bala passa pela cidade, mas o castelo não está no dia a dia da jornada.
Por isso este é um texto de lugar, sem vínculo com a viagem da casa. Serve a quem monta a própria rota pelo Japão ou quer entender o que há ali antes de decidir. Quem estiver olhando a jornada e quiser saber se um castelo a mais cabe no ritmo pode conversar com a equipe, que conhece o desenho dos dias.