Leve um pouco de iene em espécie desde a chegada, use cartão em hotéis e lojas maiores e recarregue um cartão IC para trens, metrô e pequenas compras. O Japão é organizado e seguro, mas parte do comércio ainda prefere dinheiro vivo. Confirme com o seu banco as regras do cartão antes de embarcar.
O essencial: três ferramentas, três usos
O dinheiro no Japão funciona melhor quando cada ferramenta cumpre uma tarefa. Não é preciso escolher uma só.
- Iene em espécie: para restaurantes pequenos, casas de ramen com máquina de pedidos, bilheterias de templos e santuários menores, armários de estação, ônibus locais em cidades menores e lojas de bairro.
- Cartão de crédito ou débito internacional: para hotéis, grandes lojas, lojas de departamentos, restaurantes de rede e muitas estações.
- Cartão IC de transporte: cartão recarregável que se encosta na catraca de trem e metrô. Em boa parte do país também paga máquinas de bebida, lojas de conveniência e armários de estação.
Os cartões IC têm nomes regionais; os mais conhecidos são o Suica, emitido na região de Tóquio, e o Pasmo. Na prática, os principais cartões IC conversam entre si, e um deles costuma servir em várias cidades. A regra exata muda, por isso vale conferir na estação ou no site oficial da operadora.
Dinheiro vivo: por que ele ainda importa
A fama do Japão é de país tecnológico, e ela é verdadeira. Mas o hábito de pagar em dinheiro sobrevive em muitos lugares: pequenos restaurantes familiares, barracas de rua nos arredores de templos, mercados, algumas hospedagens tradicionais (o ryokan, explicado em Ryokan ou hotel no Japão) e cidades do interior.
Um detalhe que surpreende: em muitas lojas existe uma pequena bandeja ao lado do caixa. Você deposita o dinheiro ali, e o troco volta na bandeja ou nas mãos do atendente, entregue com cuidado. Não se estende o dinheiro na mão. É educação, não frieza.
Moedas são frequentes. O Japão tem moedas de valores altos, e a carteira fica pesada ao fim do dia. Uma bolsinha de moedas ajuda, e gastar moedas em lojas de conveniência e máquinas de bebida é o jeito mais simples de aliviar o bolso.
Gorjeta não existe. Deixar dinheiro na mesa pode gerar um funcionário correndo atrás de você para devolver. O serviço já está embutido. A gentileza vai no agradecimento e na postura; mais sobre costumes em Etiqueta no Japão.
Caixas eletrônicos: o que se sabe e o que se confirma
Há dois tipos de caixa eletrônico que o viajante encontra.
- Caixas de lojas de conveniência e de correios. São os mais usados por quem chega do exterior, porque ficam em quase todo bairro, funcionam em horários longos e costumam ter tela em inglês. A aceitação de cartões emitidos fora do Japão varia por rede e por máquina.
- Caixas de bancos tradicionais. Muitos só aceitam cartões locais e fecham em horário comercial.
A regra de ouro é não depender de um único cartão. Leve dois, de bandeiras ou bancos diferentes, e guarde um deles longe do outro: um na carteira, outro no cofre do quarto ou na bolsa de documentos. Se um cartão for bloqueado por segurança, o outro resolve.
Avise o banco emissor sobre a viagem e confirme três coisas: o limite de saque no exterior, as tarifas que incidem em cada operação e se o cartão aceita pagamento por aproximação. Esses itens mudam com o tempo e com o contrato de cada pessoa, e por isso não cabem em uma página de guia.
Antes de sair do Brasil: quanto levar em espécie
Não existe um número universal. A pergunta útil é: quantos dias você passará em lugares onde o dinheiro vivo domina? Em uma viagem urbana, com hotéis e lojas grandes, uma reserva moderada em espécie costuma bastar para os primeiros dias, e o resto se saca ou se paga no cartão. Em uma jornada com passagens por cidades pequenas, santuários afastados e hospedagem tradicional, convém levar mais.
Algumas orientações práticas:
- Troque uma quantia pequena no Brasil ou no aeroporto de chegada, só para o trajeto até o primeiro hotel e a primeira refeição.
- Evite carregar tudo em uma única carteira. Divida entre carteira, bolsa interna e um bolso do casaco.
- Guarde o comprovante da troca de moeda e verifique as regras de declaração de valores na entrada e na saída de cada país.
- Cédulas novas e limpas são mais bem aceitas. Notas muito amassadas ou rasgadas podem ser recusadas com educação, tanto lá quanto aqui.
Cartão IC: o que ele resolve e o que ele não resolve
O cartão IC é a peça que mais simplifica o dia. Em vez de comprar bilhete a cada trecho, você encosta o cartão na catraca e o valor é debitado. Ele também paga em lojas de conveniência, máquinas de bebida, alguns restaurantes de rede e armários de estação.
Como recarregar? Nas máquinas das estações, com dinheiro vivo. Muitas máquinas aceitam apenas espécie, o que reforça a lógica de levar iene. Em alguns casos é possível ter o cartão no celular, mas a compatibilidade depende do aparelho e da versão do sistema; veja Celular e internet no Japão e confirme antes de contar com isso.
O cartão IC não substitui o bilhete de trem de longa distância. Para os trens de alta velocidade (shinkansen), a compra do bilhete ou o uso de passes segue outra lógica, que está em Trens e transporte no Japão.
Um cuidado: o saldo do cartão IC pode não ser devolvido como se imagina, e há regras próprias para devolução e para o valor de depósito do cartão. Por isso, no último dia, gaste o que sobrou em lojas de conveniência ou em lembranças.
Compras e isenção de imposto
Turistas podem ter direito a compras sem imposto em determinadas lojas, mediante apresentação do passaporte. As regras (valor mínimo, tipo de mercadoria, embalagem lacrada, procedimento na saída) mudam de tempos em tempos. Não planeje o orçamento em cima de uma regra lida em uma página antiga. Pergunte à loja e leve sempre o passaporte.
Em viagem de grupo, o guia costuma indicar onde esse tipo de compra é possível. Ainda assim, as regras mais atualizadas estão nos canais oficiais e nas próprias lojas.
Erros comuns
- Chegar sem nenhum iene. Há cartão de sobra no aeroporto e nos grandes hotéis, mas a primeira máquina de bebida ou o primeiro armário de estação podem pedir espécie.
- Contar com o cartão em tudo. Santuários, mercados e pequenos restaurantes são o território do dinheiro vivo.
- Esquecer a senha do cartão. Muitos terminais pedem senha numérica. Confirme a sua antes de viajar.
- Recarregar o cartão IC com valor demais. Prefira recargas pequenas e repetidas. O saldo que sobra é um incômodo na volta.
- Ignorar as tarifas do banco. Cada operação em moeda estrangeira tem tarifa e imposto próprios. Peça ao seu banco o detalhamento, em vez de supor.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Na Japão e Coreia do Sul, o programa informa que os voos internos e os traslados aeroporto-hotel estão incluídos, e descreve trens-bala, trens especiais, ônibus privativos e barcos como parte do percurso. Isso tira do viajante boa parte da conta diária de transporte. Sobram as refeições livres, as compras pessoais e as pequenas despesas de bairro, além dos gastos na Coreia do Sul, que tem moeda própria. O roteiro também informa o que não está incluído, como os custos decorrentes de mudanças por clima, cancelamentos ou atrasos de voo.
Antes de embarcar, vale perguntar à equipe quanto levar em espécie para a sua jornada e como usar o cartão em cada etapa. Se a mala ainda está por fazer, veja também O que levar para o Japão. As saídas aparecem no site, em bloco próprio.