Dezembro tem dois Japões. A primeira quinzena é a mais vazia do calendário japonês, com ar seco, céu limpo e o Fuji visível quase toda manhã. De 29 de dezembro a 3 de janeiro, o país para: trens cheios, comércio fechado e muitos templos sem expediente.
Antes e depois do dia 29
A divisão do mês é o dado mais útil para planejar.
Do dia 1 ao 28. Passado o auge das folhas, os pontos turísticos esvaziam. A fila nos templos some, a hospedagem fica mais fácil de reservar e as cidades recuperam o ritmo normal. É um período bom para quem gosta de caminhar sem multidão e aceita o frio.
Do dia 29 ao 3 de janeiro. O Ano-Novo é a grande folga do Japão. Empresas e lojas fecham, e muitos japoneses viajam para a casa da família, o que enche trens, estações e aeroportos. Restaurantes pequenos e muitos museus ficam fechados. As grandes cidades continuam com pontos abertos, mas o desenho do dia exige planejamento. Quem está no país nessa semana precisa saber o que abre antes de sair do hotel.
O frio seco em números
Em Tóquio, dezembro tem média de 9 °C e mínimas de 4 °C. Chove pouco, cerca de 57 mm, e é o segundo mês mais seco do ano. A consequência mais visível é o Fuji: na maioria das manhãs, ele aparece nítido, com o cume branco, vista de Tóquio e, melhor ainda, de Hakone e do lago Kawaguchi. Veja Monte Fuji e Kawaguchiko.
O frio é seco e o vento corta no fim da tarde. O sol se põe por volta das 16h30, e a noite longa define o dia: cedo se visita, cedo se janta. A roupa é de inverno de verdade: casaco quente, gorro, cachecol, luvas finas e calçado fechado. Dentro de trens, lojas e hotéis, o aquecimento é forte, então camadas que se tiram facilmente funcionam melhor do que uma peça só. A lista está em o que levar para o Japão.
Luzes, festas e hábitos de dezembro
O mês tem um repertório próprio, e ele é mais de rua e de mesa do que de grandes festivais:
- Iluminações de inverno. Tóquio, Osaka, Quioto e quase toda cidade média enfeitam avenidas, parques e centros comerciais com milhões de pequenas luzes. É um evento sazonal urbano, que começa no fim de novembro.
- Folhagem tardia. No começo do mês, ainda há bordos e ginkgos com cor em Tóquio e nos jardins de Quioto, depois do auge de novembro. Passada a primeira semana, os galhos já estão quase nus.
- On-Matsuri, em Nara, dia 17. Um cortejo em trajes antigos atravessa a cidade dos cervos.
- Banho de yuzu. Por volta do dia 22, no solstício, é costume colocar frutas cítricas inteiras na água do banho, e muitas casas de banho públicas e hospedarias seguem a tradição. O cheiro de limão toma o ambiente.
- Natal. Não é feriado. O hábito local é comer frango frito e bolo de morango, e as lojas de rede vendem kits com semanas de antecedência.
- Festas de fim de ano entre colegas, as bonenkai, enchem os restaurantes e as casas de izakaya nas noites de sexta-feira.
Para mais sobre a mesa japonesa, veja comida japonesa além do sushi; no inverno, panelas de caldo quente e o oden ganham espaço nos cardápios.
Neve no norte, ameno no sul
O país é longo, e dezembro mostra isso. Em Shirakawa-go, nos Alpes Japoneses, a neve firme cobre os telhados das casas de palha, e as estradas podem ter restrições. Veja Takayama e Shirakawa-go. Hokkaido já está em plena temporada de esqui.
No extremo oposto, Okinawa é muito mais amena do que o restante do país, com temperaturas bem acima das de Tóquio. Nem por isso é tempo de praia, mas o frio ali é incomparável com o do continente. Esse contraste faz parte de roteiros que combinam o continente e a ilha.
Um dia curto, do nascer ao pôr do sol
Em dezembro, o sol nasce em Tóquio perto das 6h40 e se põe por volta das 16h30. São menos de dez horas de luz. Em termos práticos, o dia útil do viajante começa cedo, com o café da manhã logo depois do nascer do sol, e termina cedo também. Os melhores momentos para fotografar são as primeiras horas da manhã, quando a luz bate de lado no Fuji, e o entardecer, que tinge o céu de rosa e laranja antes de as iluminações acenderem.
Na última semana do mês, os mercados de rua das grandes cidades ficam lotados de gente que compra produtos para a virada do ano. Em Tóquio, o bairro de Ameyoko, perto de Ueno, é o exemplo mais conhecido: um corredor de bancas de peixe, doces e frutas que vira um rio de gente no dia 30. Quem gosta de multidão pode se divertir; quem não gosta deve ir cedo ou evitar.
O que dezembro pede de quem viaja
- Evite a semana de 29 a 3. Se não for possível, reserve com antecedência o que for essencial e confirme as aberturas.
- Aproveite a primeira quinzena. É o período de menos fila, com luz baixa e Fuji limpo.
- Planeje o fim da tarde. Com o sol se pondo cedo, os passeios ao ar livre devem começar cedo.
- Considere as férias escolares brasileiras. O mês coincide com elas, e a procura de viajantes brasileiros cresce nesse recorte.
Para uma visão do ano inteiro, o guia de quando ir ao Japão compara os meses.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A casa tem uma jornada ao Japão ligada ao outono, Japão e Coreia do Sul, e a página mostra as saídas reais no bloco de datas. Se a sua janela é dezembro, confira ali se alguma saída alcança o começo do mês. Nenhuma página de guia substitui essa conferência.
O roteiro passa por Tóquio, Hakone, Takayama, Quioto, Hiroshima e Okinawa, depois por Seul, Gyeongju, Busan e Jeju. Em dezembro, o Fuji limpo em Hakone, a neve em Takayama e o clima ameno em Okinawa são três cenas diferentes de um mesmo país. Para entender o ritmo entre as cidades, veja trens e transporte no Japão.