Nikko: santuários, cachoeiras e a montanha a duas horas de Tóquio
Nikko fica a cerca de duas horas de Tóquio e reúne santuários cobertos de entalhes e uma região de lagos e cachoeiras. Funciona em um dia, melhor em dois.
Nikko fica a cerca de duas horas de trem de Tóquio e reúne um conjunto de santuários e templos cobertos de entalhes e, mais acima, uma região de lagos e cachoeiras. Funciona como bate e volta de um dia, mas rende mais com uma noite. A visita se divide em duas partes: a cidade baixa e a montanha.
Nikko em fatos
Nikko está na província de Tochigi, ao norte de Tóquio, nas encostas de um maciço vulcânico coberto de florestas de cedros. O nome quer dizer, aproximadamente, "luz do sol". A cidade tem duas faces. Embaixo, a cerca de 540 metros de altitude, ficam os santuários e templos. Acima, perto de 1.270 metros, ficam o lago Chuzenji e as cachoeiras.
- O conjunto de santuários e templos de Nikko é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1999.
- O Toshogu é o maior e mais ornamentado deles, ligado a Tokugawa Ieyasu, o fundador do xogunato que governou o Japão por mais de dois séculos e meio.
- A cachoeira de Kegon despenca por quase cem metros, direto do lago Chuzenji.
- A estrada de acesso à montanha tem 48 curvas fechadas e é famosa por isso.
- O parque nacional ao redor tem trilhas, pântanos de altitude e fontes termais.
A cidade baixa: o conjunto de Toshogu
A ponte Shinkyo, de laca vermelha, marca a entrada. Do outro lado, uma avenida de cedros imensos leva aos santuários. O Toshogu é um conjunto de dezenas de edifícios dispostos em patamares, com portais, pagodes e salas cobertas de madeira entalhada, pintada e dourada. Alguns elementos se tornaram quase um símbolo do Japão: o portal Yomeimon, tão detalhado que se diz que se poderia passar o dia olhando para ele, a pequena escultura do gato adormecido e o painel dos três macacos que "não veem, não ouvem e não falam".
O ritmo pede calma. Há escadarias de pedra, muito cascalho e, em dias de chuva, o piso fica escorregadio. Calçado fechado e confortável resolve. Nos outros santuários e templos do conjunto, o visitante encontra um clima mais sereno, com menos gente, e pode alongar a manhã sem pressa. Para as regras de comportamento, o guia sobre templos e santuários no Japão explica o que se faz e o que se evita.
A montanha: Chuzenji, Kegon e Senjogahara
Da cidade baixa, um ônibus sobe pela estrada de 48 curvas até o lago Chuzenji. O lago nasceu quando um vulcão represou um rio e é cercado de montanhas e de florestas de bordos. Na margem, há restaurantes e barcos. A cachoeira de Kegon fica na ponta do lago e tem plataformas de observação, uma delas com elevador. No outono, as folhas dessa região mudam de cor antes das de Tóquio, e quem vai em meados de outubro costuma ver o auge.
Mais acima, o planalto de Senjogahara tem passarelas de madeira sobre um pântano de gramíneas, com a cachoeira de Ryuzu e o lago Yunoko por perto. Quem tem tempo faz uma caminhada de uma ou duas horas. Quem não tem vê o essencial pelas janelas do ônibus.
Como chegar e como organizar o dia
De Tóquio, o trem sai de estações do centro e leva cerca de duas horas, com ou sem baldeação. Na estação de Nikko, um ônibus faz o circuito entre a cidade baixa e a montanha. Os horários variam com a estação. Dois desenhos de visita funcionam bem:
- Um dia só: manhã no conjunto de Toshogu, almoço na cidade, ônibus à tarde até Chuzenji e Kegon, e volta no fim da tarde. Dia cheio, mas viável.
- Dois dias: um na cidade baixa, com os santuários e a ponte, e outro na montanha, com trilha e lago. Em qualquer pousada da região, o banho termal ao fim do dia faz parte do programa; veja o guia de onsen antes.
Quem sai de Tóquio com o dia apertado deve ler o guia de trens e transporte no Japão, que explica passagens e estações.
Quando ir
Nikko tem estações bem marcadas. A primavera chega tarde na montanha, com cerejeiras florindo em abril e maio, depois das de Tóquio. O verão é fresco no alto, e é a época em que os japoneses sobem para fugir do calor. O outono é a estação mais procurada, e as estradas ficam cheias nos fins de semana. No inverno, a montanha tem neve e gelo, e a cachoeira pode congelar nas bordas; convém confirmar as condições da estrada e agasalhar-se bem.
O que levar
A diferença de altitude entre a cidade baixa e o lago pode passar de dez graus em um mesmo dia, de modo que a roupa em camadas funciona melhor do que um único agasalho pesado. Um casaco corta-vento cabe na mochila, e uma capa de chuva leve resolve os dias úmidos, comuns na montanha. Leve também água, algum lanche para a trilha e dinheiro vivo em pequenas notas para as lojas e as máquinas de bilhete do ônibus. Os cedros fecham a copa e deixam o conjunto de santuários mais escuro do que parece nas fotos, por isso o calçado com boa sola ajuda nos degraus úmidos.
Erros comuns
- Tentar ver tudo em meio dia. Os santuários pedem uma manhã inteira.
- Subir à montanha em dia de neblina densa. O lago e a cachoeira perdem metade do efeito.
- Subestimar a temperatura. No alto, faz sempre alguns graus a menos do que em Tóquio.
- Ir num feriado nacional. A estrada de montanha congestiona e o ônibus demora. Prefira dias úteis.
Nikko e a jornada da casa
O roteiro Japão e Coreia do Sul descreve as etapas de Tóquio, Hakone, Takayama, Kyoto, Nara, Hiroshima, Miyajima e Okinawa, antes de seguir para a Coreia do Sul. Nikko não faz parte das etapas descritas. Por isso esta página é um texto de lugar, sem vínculo com a jornada: serve a quem pensa em acrescentar a cidade por conta própria, num bate e volta saindo de Tóquio, ou a quem quer comparar com os lugares de montanha que o roteiro realmente visita.
Se o interesse for uma viagem com montanhas e cidades históricas em ritmo próprio, a conversa com a equipe ajuda a entender o que cabe em cada etapa e o que fica de fora.