Agosto é o mês mais quente do Japão, com máximas perto de 31 °C e umidade acima de 70%. Entre 13 e 16, o feriado do Obon põe o país inteiro em movimento: trens-bala lotados e parte do comércio fechada. É um mês de fogos e festas, mas pede escolha consciente.
Quando agosto faz sentido, e quando não
A resposta curta é que agosto serve a quem aceita trocar conforto por festa. É o mês de maior calor, de maior deslocamento interno e do início da temporada de tufões. Quem tem pouca tolerância ao calor úmido ou quer caminhar longas distâncias ao ar livre costuma ficar mais feliz em outro mês.
Isso não quer dizer que o Japão fique fechado em agosto. Quer dizer que o roteiro precisa ser pensado de outro jeito: menos horas ao ar livre, mais interiores climatizados e, sempre que possível, base em regiões mais altas. O guia de quando ir ao Japão mostra onde agosto fica em relação aos outros meses.
O calor em números
A média em Tóquio é de 27 °C, com máximas de 31 °C. Chove cerca de 155 mm, em pancadas curtas. Mas o número que importa é a umidade: acima de 70%, ela empurra a sensação térmica para bem mais alto do que o termômetro. Nas noites, a temperatura mal cai, e o ar fica parado.
Em consequência, a rotina muda. O dia útil começa cedo e termina cedo. Entre o fim da manhã e o fim da tarde, quem está na rua busca sombra, e o japonês carrega sombrinha de sol, leque e uma toalha no pescoço. O visitante faz bem em imitar. Para aliviar, agosto é bom para o kakigori, o gelo raspado com xarope, e para a cerveja gelada nas lojas de conveniência.
Obon: a semana em que o país se desloca
O Obon, entre 13 e 16 de agosto, é o período em que as famílias voltam às cidades de origem. Não é feriado oficial em todo o país, mas funciona como tal: empresas dão folga, e as estações de trem-bala ficam cheias nos dias anteriores e posteriores.
Na prática, isso afeta o viajante de três modos:
- Trem-bala. Os assentos reservados esgotam com semanas de antecedência, e os vagões sem reserva ficam apinhados. Quem tem trecho longo marcado no período deve garantir o assento cedo.
- Comércio. Parte das lojas pequenas, restaurantes familiares e oficinas fecha por alguns dias. Nas grandes cidades, o comércio de rede continua aberto.
- Cidades vazias. Tóquio fica mais calma do que o normal: o centro esvazia, e quem estiver lá encontra ruas menos cheias. O oposto acontece nas cidades de origem e nos destinos de férias.
Há ainda o dia 11, o Dia da Montanha, feriado nacional criado em 2016, que costuma juntar-se ao período e alonga o fluxo de viagens.
Fogos, lanternas e o fogo nas montanhas
Se o calor é o custo de agosto, o benefício está nas noites. O verão japonês tem um calendário de festas que acontece depois do pôr do sol:
- Fogos de artifício (hanabi). Em agosto, quase toda cidade tem a sua noite de fogos. Os de Nagaoka, no começo do mês, estão entre os mais famosos do país.
- Nebuta, em Aomori. De 2 a 7, carros alegóricos iluminados, de papel e arame, desfilam pelas ruas do extremo norte de Honshu. É longe das rotas clássicas.
- Gozan no Okuribi, em Quioto. No dia 16, ao anoitecer, fogueiras são acesas em cinco montanhas ao redor da cidade, e uma delas desenha no morro o ideograma de "grande". Os pontos de vista disputam lugar, e a cidade fica cheia.
Quem vai de yukata, o quimono leve de algodão, ao fogo de artifício se mistura à multidão. As lojas de aluguel e as próprias hospedarias costumam oferecer o traje.
Hiroshima em 6 de agosto
Agosto tem uma data que merece atenção a quem pretende visitar Hiroshima. No dia 6, a cidade realiza a cerimônia anual de paz no Parque da Paz, e a área central fica restrita e movimentada. O museu e o parque podem ser visitados com respeito e calma em qualquer outro dia do mês, e esse é o jeito mais tranquilo de fazer a visita. Para a cidade e a ilha vizinha, veja Hiroshima e Miyajima.
Danças de roda, melancia e cigarras
Agosto tem uma trilha sonora própria. As cigarras começam antes do amanhecer e param só à noite, e o zumbido contínuo cobre os jardins de templos e os parques. Nos bairros, nas noites do Obon, aparecem as bon odori, danças de roda em torno de uma plataforma com tambor, em pátios e parques. A roda é aberta, e o visitante que entra, mesmo sem saber os passos, é bem recebido. As barracas ao redor vendem yakisoba, espetinhos e peixinhos dourados para pescar com rede de papel.
Na mesa, o verão pede melancia gelada, macarrão frio e o ramune, a limonada com gás fechada com uma bolinha de vidro. Em Sendai, a leste de Honshu, o Tanabata é celebrado em agosto, de 6 a 8, com enfeites de papel muito maiores que os de julho. A cidade fica fora das rotas da casa, mas o contraste explica por que o calendário de festas japonês varia tanto de região para região.
Em geral, as noites de verão são o melhor momento do dia: o calor cede um pouco, as ruas se enchem e a cidade ganha outra cara.
Para onde fugir do calor
Se a data não pode mudar, a altitude e o norte ajudam. Takayama e Shirakawa-go, nos Alpes Japoneses, têm noites mais frescas que as planícies. Takayama e Shirakawa-go tem o essencial. Hokkaido tem verão mais ameno, mas está fora das jornadas da casa. O mar de Okinawa é morno e convidativo, mas agosto ali é quente e na rota dos tufões.
Onde isso entra numa jornada Govinda
As duas jornadas da casa ao Japão não foram desenhadas em torno de agosto. Se a sua janela é essa, a recomendação é abrir a página de cada uma e olhar o bloco de datas. Não existe garantia de saída no mês, e a página que mostra as saídas reais é a única referência confiável.
Japão Kizuna passa por Tóquio, Hakone, Takayama, Quioto, Hiroshima e Okinawa. Japão e Coreia do Sul acrescenta Seul, Gyeongju, Busan e Jeju. Em qualquer data, vale ler trens e transporte no Japão, porque o Obon mexe justamente com o transporte.