Fevereiro é o mês mais frio do Japão, com média de 7 °C em Tóquio e noites perto de 2 °C. Em troca, tem pouca fila em Quioto, o Festival da Neve em Sapporo e as primeiras flores do ano, as das ameixeiras. A sakura ainda não abriu. Serve para quem prefere silêncio a espetáculo.
O mês mais frio, mas não o mais difícil
Fevereiro e janeiro são parecidos no termômetro, mas diferentes na sensação. Janeiro tem ar seco e céu claro; fevereiro acumula mais umidade. Tóquio registra cerca de 56 mm de chuva, e Quioto amanhece com neve em alguns dias do mês, que costuma derreter antes do meio-dia. A cidade de Sapporo, em Hokkaido, tem média de cerca de -3 °C.
Para o viajante brasileiro, o desafio principal é o frio constante. Os dias começam a alongar, mas ainda escurece cedo. O que pesa a favor do mês é a ausência de multidões: os templos de Quioto que se disputam em abril, como o Kiyomizu-dera e o caminho de torii do Monte Inari, ficam caminháveis sem empurra-empurra.
Cinco coisas que só fevereiro tem
- Festival da Neve de Sapporo. Na primeira semana do mês, o parque Odori recebe esculturas enormes de neve e gelo, algumas com mais de dez metros. É feito por equipes de bairros, empresas e até militares, e à noite as peças são iluminadas.
- Ameixeiras em flor. As ume abrem antes das cerejeiras, com flores menores e perfumadas, brancas, rosadas e vermelhas. O Baikasai, no santuário Kitano Tenmangu, em Quioto, acontece em 25 de fevereiro, com chá servido sob as árvores.
- Yokote Kamakura, em Akita. Nos dias 15 e 16, a cidade constrói casinhas de neve em forma de iglu, onde as crianças servem arroz doce e chá quente a quem passa. Fica no noroeste de Honshu, longe do eixo comum de viagem.
- Gelo à deriva em Hokkaido. A partir do fim de janeiro e até março, a costa de Abashiri recebe blocos de gelo vindos do mar de Okhotsk, e é possível navegar entre eles em um quebra-gelo.
- Dia dos Namorados invertido. Em 14 de fevereiro, no Japão, quem dá chocolate são as mulheres, e a retribuição dos homens vem um mês depois, em 14 de março. As lojas de departamento montam balcões inteiros para a data, um espetáculo de vitrines para quem gosta de doces.
O Carnaval brasileiro e o calendário
Fevereiro atrai quem tem feriado de Carnaval para emendar. Vale saber o que o Japão oferece nessa janela: a sakura ainda não abriu e as ameixeiras só florescem de verdade no fim do mês. Se o objetivo é flor, a viagem de fevereiro pode frustrar. Se o objetivo é neve, silêncio e comida quente, ela entrega.
Como montar um roteiro de fevereiro
A pergunta útil é: que Japão eu quero ver? Há três desenhos possíveis.
Quioto e Nara sem multidão
Quioto em fevereiro tem luz baixa, telhados úmidos e jardins de pedra em silêncio. Nara fica a cerca de 45 minutos de trem. Os cervos do parque continuam à solta e pedem biscoito a quem passa, e o frio mantém o parque quase vazio nas manhãs de dia de semana.
Tóquio e Hakone com Fuji nítido
Fevereiro mantém o ar seco de janeiro em boa parte dos dias, e o Monte Fuji aparece com neve no topo. O teleférico de Hakone e o passeio de barco pelo lago Ashi são mais agradáveis em dias de sol, e a água quente do onsen compensa o vento frio do lago. Vale conferir o tempo antes de marcar a subida.
Hokkaido de inverno
Para quem quer neve de verdade, Sapporo e as estações de esqui como Niseko oferecem pó seco, o tipo de neve que os esquiadores disputam. É uma viagem com outro equipamento e outro ritmo. Conversa-se sobre isso com a equipe antes de montar o plano.
Ameixeira antes da cerejeira
A diferença entre ume e sakura confunde muita gente. A ameixeira floresce em fevereiro e março, com pétalas arredondadas que se agarram ao galho. A cerejeira floresce depois, com pétalas que se soltam em chuva. Os parques tradicionais, como o Yushima Tenjin em Tóquio e o Kairakuen em Mito, a cerca de uma hora e meia da capital, atraem visitantes para ver as ume, sem a fila de hanami que vem em abril. Se o seu objetivo é a florada das cerejeiras, a página sobre hanami, cerejeiras: quando e onde explica o calendário.
Comida e hábitos de um mês de frio
Fevereiro é a estação do ramen fumegante, do nabe e dos doces de feijão doce servidos com chá quente. As lojas de conveniência vendem bolinhos cozidos no vapor e batata-doce assada na rua, e as máquinas de bebida oferecem latas quentes ao lado das geladas. Muitos restaurantes servem sopa de miso nas refeições, o que aquece. O onsen, nessa época, é quase uma necessidade: entrar numa fonte ao ar livre com neve ao redor ajuda a entender por que o Japão cultiva o hábito. As regras de uso estão no guia sobre onsen para quem vai pela primeira vez.
Erros comuns em fevereiro
- Esperar sakura. A flor só aparece no fim de março em Tóquio e Quioto. Em fevereiro, o que floresce é a ameixeira, e a cerejeira de Okinawa já está no fim.
- Subestimar o vento. A sensação térmica cai bastante em Hakone e nos Alpes Japoneses.
- Esquecer a linha do tempo da neve. Estradas de montanha podem fechar. Programe margem de um dia nas conexões que dependem delas.
- Usar apenas um casaco grosso. Camadas funcionam melhor entre a rua e os ambientes aquecidos.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A jornada Japão e Coreia do Sul não foi desenhada para fevereiro: a casa a pensou em torno da florada das cerejeiras e do outono. O roteiro cruza Tóquio, Hakone, Takayama, Kyoto, Nara, Hiroshima e Miyajima, passa por Okinawa e segue para a Coreia do Sul. Fevereiro e essas cidades combinam, mas com frio e sem flor. Quem escolhe o mês pelo silêncio de Quioto e pela neve pode conversar com a equipe sobre como adaptar o ritmo. Quem procura as flores deve olhar março ou abril. A visão geral está em quando ir ao Japão.