Julho no Japão é um mês de duas metades. Na primeira, a estação das chuvas ainda está em curso e o ar é pesado. Por volta do dia 20, ela termina e vem o calor firme, com máximas perto de 30 °C e umidade alta. Em compensação, é o mês do Gion Matsuri, em Quioto, e da abertura da subida ao Fuji.
O mês em números
Em Tóquio, julho tem média de 26 °C e máximas em torno de 30 °C. Chove cerca de 155 mm, concentrados na primeira metade. A umidade é o que pesa: a sensação térmica fica acima do que o termômetro marca, e uma caminhada de uma hora entre templos cansa mais do que em março.
A estação das chuvas, que os japoneses chamam de tsuyu, costuma terminar perto do dia 20. A data muda de um ano para o outro e a previsão só se firma em cima da hora. Quem viaja na primeira quinzena deve contar com céu fechado e chuvas longas e regulares, não com aguaceiros curtos. Quem viaja na segunda pega o início do verão pleno: céu aberto, sol forte e cigarras cantando nas árvores dos templos desde cedo.
Um detalhe que surpreende o viajante brasileiro: julho é inverno aqui e verão lá. A mala muda por completo. Sobre isso, o guia de o que levar para o Japão detalha o que cabe numa bagagem de verão úmido.
As festas de julho
Julho é, para muitos japoneses, o mês das festas de rua. Cinco datas ajudam a ler o calendário:
- 1º de julho: abre a temporada de subida ao Monte Fuji. As trilhas e as cabanas de apoio funcionam por poucas semanas e fecham no começo de setembro.
- 7 de julho: Tanabata, o festival das tiras de papel coloridas penduradas em bambus. Lojas, estações e galerias comerciais se enchem de fitas e desejos escritos à mão.
- Todo o mês: Gion Matsuri, em Quioto. É a festa mais longa da cidade. Os grandes cortejos de carros alegóricos, os yamaboko, saem em 17 e em 24 de julho, e as ruas do centro são fechadas ao trânsito.
- 24 e 25 de julho: Tenjin Matsuri, em Osaka, com procissão de barcos pelo rio ao fim da tarde.
- Último sábado do mês: os fogos do rio Sumida, em Tóquio, que atraem centenas de milhares de pessoas às margens.
No Gion Matsuri, nas noites que antecedem os cortejos, as ruas viram feira a céu aberto: lanternas acesas, vendedores de comida e carros alegóricos parados, expostos para quem passa. Quem quer ver os carros de perto sem a multidão do dia do cortejo costuma ir nessas noites.
Há ainda uma tradição de mesa que só aparece no verão. No chamado dia do boi do verão, em plena estação quente, os japoneses comem enguia grelhada, o unagi, e as casas especializadas têm fila. Os pratos frios, como o somen e o soba servidos sobre gelo, voltam aos cardápios.
Fuji e montanha: o julho que foge do calor
Julho abre a janela do Monte Fuji. A subida até o cume leva uma noite inteira de caminhada, com parada em cabana, e muitos sobem para ver o nascer do sol. É um esforço físico real, em altitude de 3.776 m, e não aparece nos roteiros da casa. Quem pensa em subir deve consultar um médico antes e confirmar as regras de acesso da temporada.
Quem prefere olhar a montanha de longe tem uma boa notícia e uma ressalva. O Fuji é visível do lago Kawaguchi e de Hakone, mas no verão ele costuma esconder-se atrás de nuvens, sobretudo à tarde. A melhor chance de vê-lo limpo é a madrugada e o começo da manhã. Para a região, veja Monte Fuji e Kawaguchiko.
Outra fuga do calor é subir. Takayama e Shirakawa-go ficam nos Alpes Japoneses e têm noites mais frescas do que a planície de Tóquio, Osaka e Quioto. Hokkaido, no norte, tem verão curto e ameno; é nesse mês que os campos de lavanda de Furano florescem. Mas Hokkaido não está nas jornadas da casa.
Como desenhar os dias no calor úmido
O erro mais comum em julho é montar o dia como se fosse abril. A rotina que funciona é outra.
- Comece cedo. Templos e jardins abrem cedo e a primeira hora é a mais suportável. Entre 11 e 15 horas, o melhor lugar é um museu ou um café com ar-condicionado.
- Intercale. Um trecho ao ar livre, depois um interior. Os grandes centros de compras e as estações de Tóquio e Osaka são climatizados e subterrâneos em boa parte.
- Leve uma toalha pequena. O japonês a leva para o rosto e o pescoço; é prático e é aceito em qualquer lugar. Leve também um guarda-chuva dobrável, que serve para sol e chuva.
- Beba antes da sede. Máquinas de bebida em quase toda esquina vendem água e isotônicos gelados. Quem tem restrição de saúde deve combinar com o médico antes de viajar.
Para a rotina completa de um dia de viagem, veja rotina de um dia de viagem no Japão.
O que o mês não resolve
Julho coincide com as férias escolares brasileiras, e por isso muita gente pensa no Japão nessa janela. Vale conferir se o calor combina com o seu corpo. Quem tem dificuldade com umidade, com longas caminhadas ou com sol forte tende a viajar melhor em outubro ou novembro. O guia de quando ir ao Japão compara os meses lado a lado.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A casa tem duas jornadas ao Japão, e nenhuma delas foi desenhada em torno de julho. Se esse é o mês em que você pode viajar, o caminho honesto é abrir a página de cada jornada e conferir o bloco de datas: o site mostra as saídas reais, e nenhuma é inventada para caber no calendário.
Japão Kizuna percorre Tóquio, Hakone, Takayama, Quioto, Hiroshima e Okinawa. Japão e Coreia do Sul segue o mesmo desenho e continua por Seul, Gyeongju, Busan e Jeju. Em ambas, Hakone e Takayama oferecem as altitudes que aliviam o calor, e os trens-bala ligam as cidades sem exigir longas esperas ao sol. Para entender como a logística funciona, leia trens e transporte no Japão.