Janeiro no Japão é o mês mais seco do ano em Tóquio e Quioto, com dias frios e céu limpo, e o mais nevado nos Alpes Japoneses e na costa do Mar do Japão. O país para nos três primeiros dias do ano. Vale para quem aceita frio e quer o Japão de inverno, sem florada nem folhas coloridas.
O que o mês tem de próprio
Quatro fatos descrevem janeiro melhor do que qualquer adjetivo:
- Tóquio e Quioto ficam entre 2 °C e 10 °C, com média perto de 6 °C.
- Cai cerca de 55 mm de chuva em Tóquio, o menor volume do ano, e a maioria dos dias tem sol.
- O ar seco deixa o Monte Fuji visível quase todas as manhãs, visto de Hakone ou de trens que saem de Tóquio.
- Entre 1 e 3 de janeiro, comércio, restaurantes e repartições fecham para o Shogatsu, o Ano-Novo japonês.
O frio é de casaco longo, gorro e luvas, mas é um frio sem a umidade pesada de fevereiro em Quioto. As casas e os trens são aquecidos, então o corpo alterna entre a rua gelada e o interior abafado. Vestir em camadas resolve melhor do que um único agasalho grosso.
Os primeiros dias do ano
O Ano-Novo é a festa familiar mais importante do calendário japonês. Muitas famílias viajam para a cidade de origem, e as estações enchem entre o fim de dezembro e o dia 3. Os japoneses comem o osechi, um conjunto de pratos em caixas laqueadas empilhadas, e o ozoni, uma sopa com bolinho de arroz.
Nos primeiros dias, as pessoas fazem o hatsumode, a primeira visita do ano a um santuário. Santuários grandes, como o Meiji em Tóquio, recebem filas longas e organizadas. Quem for como visitante pode caminhar entre as barracas de comida e observar o movimento, com roupa quente e paciência para a fila.
Outro costume do período é a corrida universitária Hakone Ekiden, que liga Tóquio às montanhas de Hakone nos dias 2 e 3 e fecha trechos de rua ao longo do percurso. Se o itinerário passa por essa região, vale perguntar sobre bloqueios.
Neve: onde está e onde não está
Tóquio quase não tem neve em janeiro, e Quioto vê alguns flocos por inverno. A neve de verdade está do outro lado da cordilheira central:
- Takayama e Shirakawa-go. Nos Alpes Japoneses, as casas de telhado inclinado de Shirakawa-go ficam cobertas, e as estradas secundárias podem ser interditadas em dias de tempestade. O cenário de inverno é bonito, mas exige margem de tempo.
- Costa do Mar do Japão. Cidades como Kanazawa recebem neve pesada, úmida e frequente.
- Hokkaido. Sapporo tem média abaixo de zero e as pistas de esqui funcionam a pleno. É um destino de inverno à parte, mais frio que o restante do país.
- Nagano. Em Jigokudani, macacos tomam banho em fontes quentes cercadas de neve, uma imagem que só existe nos meses frios.
Para quem quer ver esse cenário com calma, as páginas sobre Takayama e Shirakawa-go e sobre Kanazawa mostram o que há em cada uma. Em Kanazawa, os pinheiros do jardim Kenroku-en ganham cordas em forma de cone, amarradas do topo às pontas dos galhos, para que o peso da neve não os quebre. É uma imagem que só se vê no inverno, e que mostra como o país se prepara para a estação.
Um janeiro quente: Okinawa
A ilha de Okinawa, que o roteiro da casa inclui, fica no sul, perto do Trópico de Câncer, e tem janeiro com temperaturas entre 14 °C e 19 °C. Lá as cerejeiras florescem em janeiro e fevereiro, com flores de rosa-escuro que se abrem para baixo, bem diferentes das cerejeiras de Tóquio. É o fato menos conhecido do mês e muda a ideia de que sakura é assunto só de primavera.
Comida e banho de inverno
Janeiro é a estação do nabe, o ensopado servido na panela ao centro da mesa, e do oden, com ovos, rabanete e massa de peixe em caldo morno. O onsen, os banhos de águas termais, é especialmente confortável em dias de frio: entrar numa fonte ao ar livre com o ar a 3 °C é uma sensação que explica a fama do Japão no inverno. O guia sobre onsen para quem vai pela primeira vez explica o passo a passo.
No sumô, o torneio de janeiro costuma acontecer em Tóquio, no distrito de Ryogoku, e é um programa coberto que combina bem com o frio. Nas semanas seguintes ao Ano-Novo, as lojas fazem liquidações de começo de ano, muito procuradas por quem gosta de compras.
Erros comuns em janeiro
- Chegar sem checar o calendário do Shogatsu. Entre 29 de dezembro e 3 de janeiro, muitos negócios fecham. Museus, restaurantes pequenos e lojas tradicionais podem estar de portas trancadas.
- Planejar a rota pelos Alpes como se fosse verão. Estradas e trens locais sofrem atrasos com a neve.
- Esquecer a pele. O ar seco resseca lábios e mãos. Hidratante e protetor labial fazem diferença.
- Contar com a mesma densidade de passeios. O dia escurece por volta das cinco da tarde, e o frio encurta os passeios ao ar livre.
Quem gosta de monumentos sem multidão encontra Quioto em janeiro muito mais tranquila que em abril ou novembro. Os jardins de pedra e os templos ficam silenciosos, com frio e luz baixa que favorecem fotografias.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A Govinda desenha a jornada Japão e Coreia do Sul em torno de duas estações, a da florada e a do outono, e não de janeiro. Ela passa por Tóquio, Hakone, Takayama, Shirakawa-go, Kyoto, Nara, Hiroshima, Miyajima e Okinawa, antes de seguir para a Coreia do Sul. Essas cidades existem em janeiro, mas com a lógica de inverno descrita acima. Se o frio é o que você procura, vale conversar com a equipe antes de decidir. Se prefere flor ou folhagem, as páginas sobre abril e novembro ajudam. Para uma visão do ano inteiro, veja quando ir ao Japão.