Abril é o mês em que a sakura floresce em Tóquio e Quioto, geralmente no pico da primeira semana, com clima ameno e chuvas curtas. É também o mês mais disputado do ano, e a Golden Week começa no dia 29. Quem vai deve tratar a flor como um fenômeno de dias, não de semanas.
Como a flor evolui
A sakura não floresce de uma vez. O caminho tem fases com nomes próprios, e saber qual delas você verá muda o que esperar:
- Kaika. As primeiras flores abrem em cada árvore. Com cerca de cinco ou seis flores abertas na árvore de referência, o órgão meteorológico declara a floração oficial da cidade.
- Mankai. A flor plena, que costuma acontecer cerca de uma semana depois do kaika. É o pico, com galhos totalmente brancos e rosados.
- Sakura fubuki. A tempestade de pétalas, quando o vento solta as flores e elas cobrem calçadas e águas de canais, num efeito de neve rosa. Muita gente prefere essa fase à anterior.
- Hazakura. As folhas verdes aparecem e a flor acaba. Do início ao fim, a árvore passa por cerca de duas semanas.
Chuva forte ou vento acelera o fim. Uma noite de temporal pode apagar o pico de uma cidade inteira, e é por isso que dias extras no itinerário valem mais do que o melhor palpite de data.
Onde ver
Algumas paisagens se repetem nos roteiros:
- Parque Ueno, em Tóquio. O parque do hanami por excelência, com centenas de cerejeiras e multidão em dias de sol. O roteiro da casa passa por ele logo no início, depois de Asakusa.
- Rio Meguro, em Tóquio. Cerejeiras que se debruçam sobre um canal estreito, mais bonito ao entardecer.
- Caminho da Filosofia e Maruyama, em Quioto. A trilha ao longo de um canal e um parque com uma cerejeira velha no centro.
- Himeji. O castelo branco emoldurado por flores é um dos cenários clássicos. Conheça mais na página sobre Himeji.
- Hirosaki, no norte de Honshu. A flor chega no fim do mês, quando já passou no sul.
O guia sobre hanami, cerejeiras: quando e onde aprofunda o calendário e as cidades.
Etiqueta do hanami
Hanami significa olhar as flores, e muitos japoneses fazem piquenique sob as árvores. Algumas regras de convivência valem para o visitante:
- Reservar espaço com lona é prática dos japoneses; o visitante não deve ocupar lugar alheio.
- Levar o lixo de volta ou depositar em locais indicados é norma.
- Não sacudir galhos nem puxar flores, porque as árvores são cuidadas e protegidas.
- Falar baixo e evitar música alta nos parques.
Mais regras de convivência estão na página sobre etiqueta no Japão.
O clima de abril
A média em Tóquio fica em cerca de 14 °C, com máximas de 19 °C e mínimas de 9 °C. Chove em torno de 125 mm, em pancadas curtas. Nos Alpes Japoneses, as manhãs ainda ficam perto de 4 °C. Um casaco leve, um suéter fino e um guarda-chuva dobrável são a base. O dia é longo e agradável, ideal para caminhar entre templos e parques.
Três fatos do mês fora da sakura
- Festival de Primavera de Takayama. Nos dias 14 e 15, carros alegóricos de madeira entalhada desfilam pelas ruas históricas da cidade, e à noite são iluminados com lanternas. Takayama está no roteiro da casa, entre Hakone e Kyoto.
- Rota Alpina Tateyama-Kurobe. Reabre em meados do mês, depois de fechar no inverno, e o corredor entre as paredes de neve, com vários metros de altura, é a imagem do mês.
- Golden Week. Começa em 29 de abril com o feriado do Dia de Showa e vai até 5 de maio. Os japoneses emendam folgas, e trens, aeroportos e hotéis ficam cheios. Quem viaja no fim de abril precisa programar reservas e deslocamentos com muita antecedência.
Um plano B para a flor
Como a sakura depende do tempo, vale desenhar a viagem com saídas. Se a flor de Tóquio passou, a altitude ajuda: Hakone e os lagos aos pés do Monte Fuji florescem mais tarde, e Takayama, nos Alpes Japoneses, abre depois de Tóquio e Quioto. Se Quioto ainda está em botão, Nara, a cerca de 45 minutos de trem, e Himeji costumam estar em estágio diferente. O trem-bala liga Tóquio a Quioto em pouco mais de duas horas, o que torna fácil ajustar a ordem das cidades. Em Hiroshima e Miyajima, a floração tem seu próprio relógio, e a visita ao Parque da Paz ocupa bem uma manhã de céu nublado, quando o fotógrafo de flores está sem luz.
Erros comuns em abril
- Fixar um dia para a sakura. A flor responde ao clima, não ao calendário.
- Trocar de cidade em cima da hora sem checar transporte. Perto da Golden Week, os trens-bala ficam lotados.
- Subestimar a multidão. Pontos como o templo Kiyomizu-dera e o Parque Ueno ficam densos em dias de pico. Chegar cedo, antes das nove, ajuda.
- Esquecer de olhar para fora do roteiro principal. Ruas laterais, canais e pequenos santuários têm cerejeiras sem fila.
Uma última observação prática: leve folga de bagagem e de tempo. Quem passa de uma cidade a outra em dia de trem lotado precisa de mais minutos em cada estação, e as malas grandes podem seguir por serviço de entrega entre hotéis, comum no país, para que o corpo viaje leve entre as flores.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Abril é a estação em que a Govinda desenhou a jornada Japão e Coreia do Sul, pensada para a florada: Tóquio, Hakone, os Alpes Japoneses em Takayama e Shirakawa-go, Kyoto e Nara, Hiroshima e Miyajima, Okinawa e, depois, Seul, Gyeongju, Busan e Jeju. O roteiro reserva dias intensos e momentos de contemplação, com cerimônia do chá e trens especiais. Quem prefere ficar só no Japão pode olhar a jornada Japão Kizuna, de 18 dias, que descreve as cerejeiras em flor entre templos de Kyoto e letreiros de Tóquio. As datas ficam no site.