Onsen é um banho de água termal tomado sem roupa, em ambiente separado por gênero. O roteiro é curto: lavar-se antes de entrar, deixar a toalha pequena fora da água, entrar devagar e sair antes de sentir mal-estar. Quase tudo mais é detalhe, e o primeiro banho costuma ser mais fácil do que se imagina.
O essencial em fatos
Onsen significa, ao pé da letra, fonte termal. O país tem milhares delas, por causa dos vulcões, e Hakone, a cerca de 90 km de Tóquio, é uma das estâncias mais conhecidas. Fatos que ajudam quem nunca entrou em um:
- Banho sem roupa. Roupa de banho não é usada na água, em quase todos os casos.
- Separado por gênero. Salas masculina e feminina, geralmente com cortina na entrada que indica qual é qual. Alguns lugares trocam as salas ao longo do dia.
- Temperatura. A água costuma ficar entre 38 e 43 graus. É mais quente que uma piscina térmica e mais quente que muitos banhos de banheira.
- Duração. Dez a vinte minutos por vez, com pausas. Não é um banho de imersão longa.
- Onsen e sento. O onsen usa água termal natural. O sento é uma casa de banho pública da cidade, com água aquecida comum. As regras de etiqueta são as mesmas.
O passo a passo
- Deixe a roupa e as coisas no vestiário. Cestos ou armários guardam roupa, celular e carteira. Leve apenas a toalha pequena.
- Lave-se sentado antes de entrar. Ao longo da parede há bancos baixos, chuveiros e baldes. Ensaboe-se por inteiro, enxágue bem e só então se aproxime da água. Esse é o ponto mais importante: a água do banho é compartilhada e deve ficar limpa.
- Prenda o cabelo longo com uma presilha, para que não toque a água.
- Leve a toalha pequena, mas deixe-a fora da água. Ela serve para cobrir-se no trajeto e, na água, pode ficar dobrada sobre a cabeça ou na borda.
- Entre devagar. Primeiro os pés, depois o corpo, sem mergulho e sem barulho.
- Fique em silêncio ou fale baixo. É um lugar de descanso, e o clima é calmo.
- Saia, seque-se e hidrate-se. Antes de voltar ao vestiário, enxugue o corpo na área do chuveiro. Água fria ou chá no fim fazem bem.
Não é costume nadar, jogar água, usar o celular ou tirar fotos. Câmeras são proibidas nos vestiários e nos banhos.
A questão do corpo e do constrangimento
A nudez compartilhada é o que costuma preocupar quem vai pela primeira vez. Algumas observações práticas:
- Ninguém olha fixamente. Cada pessoa cuida do seu banho, e a convenção é não reparar nos outros.
- A toalha pequena pode cobrir o corpo no trajeto até a água.
- Se o constrangimento pesar, há uma saída: o banho privativo, chamado kashikiri, que pode ser reservado por tempo limitado para uma pessoa, casal ou família. Muitas estalagens oferecem esse formato.
- Há também banhos ao ar livre (rotenburo), com cercas altas e vista para o jardim ou a montanha.
Tatuagens
Muitos onsen recusam entrada de pessoas com tatuagem, e a regra varia de um estabelecimento para outro. Alguns aceitam quando a tatuagem é pequena e pode ser coberta com adesivo; outros têm banhos privativos para quem prefere. A recomendação é consultar o local antes, pelo site ou por telefone, em vez de tentar na porta. Como a política muda, confirme no estabelecimento.
Estalagens tradicionais e o yukata
Em estalagens tradicionais (ryokan), o banho termal costuma fazer parte da estadia, e o hóspede recebe um yukata, um roupão leve de algodão, para usar no corredor e no jantar. O lado esquerdo cobre o direito. Veja também o guia sobre ryokan ou hotel no Japão.
Quando o banho rende mais
O onsen é um prazer de qualquer estação, mas muda de caráter ao longo do ano. No inverno, o contraste entre o ar frio e a água quente é o que a maioria associa ao banho termal, e os banhos ao ar livre ganham vapor. No verão, a água quente pesa mais, e muitos preferem o fim da tarde ou a manhã cedo. Na primavera, o banho ao ar livre pode ter cerejeiras ao redor; no outono, folhas vermelhas.
Há ainda uma regra de horário que ajuda: as horas logo depois da abertura e as da noite costumam ser as mais vazias. Banhos lotados são raros em dias úteis, e quem quer uma primeira experiência calma faz bem em escolher uma hora tranquila.
O que levar e o que deixar
Nas estalagens e nos hotéis com banho termal, o essencial costuma ser fornecido: sabonete, xampu, toalha grande e toalha pequena. Em banhos públicos, vale levar a própria toalha pequena e uma sacola para a roupa molhada. Joias e relógios ficam no cofre ou no quarto: o metal esquenta na água, e o banho é um lugar onde não se leva nada além do corpo.
Cuidados de saúde
A água quente exige atenção. Pessoas com pressão alta, problemas do coração, gravidez ou outra condição de saúde devem consultar o médico antes. Não é assunto que caiba a um guia. De modo geral: não entre depois de beber álcool, não fique tempo demais, levante-se devagar para evitar tontura e beba água. Se sentir mal-estar, saia e sente-se na borda.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A Japão e Coreia do Sul tem duas noites em Hakone, logo depois de Tóquio. No quinto dia, o grupo sobe de teleférico, atravessa o lago num breve cruzeiro e visita o santuário de Hakone; no sexto, vai ao Monte Fuji. Hakone é, antes de tudo, uma estância termal. O viajante que quiser experimentar o banho tem ali a ocasião natural. Se o hotel do grupo oferece banho termal, e em que horários, é algo a confirmar com a equipe antes de viajar, porque depende do estabelecimento.
O onsen é opcional, e quem preferir pode pular sem prejuízo. Em um dia de teleférico e caminhada, ele costuma funcionar como descanso. Para o ritmo geral da jornada, veja Japão depois dos 50 e, para a etiqueta do dia a dia, etiqueta no Japão. Quando quiser, veja as datas.