Junho é a estação das chuvas no Japão, o tsuyu, que costuma entrar em Tóquio por volta do dia 8. Não é o mês de maior volume de chuva, mas o de maior número de dias com chuva. Em troca, vêm as hortênsias, os campos de arroz alagados e uma Quioto mais vazia. Hokkaido escapa.
O que é o tsuyu
A palavra significa algo como "chuva de ameixa", porque a estação coincide com o amadurecimento das ameixas. É uma frente úmida que se estende sobre o arquipélago, de oeste para leste, e em Tóquio costuma começar por volta de 8 de junho e acabar em meados de julho. Alguns números ajudam a dimensionar:
- A média em Tóquio fica em torno de 22 °C, com umidade acima de 75%.
- A chuva soma cerca de 170 mm no mês, mas espalhada em muitos dias, quase sempre em garoa contínua e não em temporal.
- O céu fica coberto, e as paisagens de longe, como o Monte Fuji, somem na névoa.
Para quem vem de clima tropical, o desconforto não é o frio, e sim a sensação de roupa sempre úmida. A diferença em relação ao verão brasileiro é a ausência da pancada rápida seguida de sol: no Japão, a garoa pode durar o dia inteiro.
Os cinco fatos do mês
- Hortênsias. As ajisai florescem em tons de azul, lilás e rosa, e são a imagem de junho. Em Kamakura, o templo Meigetsu-in e o Hase-dera enchem os caminhos de hortênsias, e há filas curtas em dias úteis. A cidade está descrita na página sobre Kamakura. Em Hakone, o trem de montanha Hakone Tozan percorre cortes da encosta cobertos de hortênsias e, em alguns dias de pico, circula iluminado à noite.
- Plantio do arroz. Os campos são alagados e as mudas verdes aparecem em fileiras. Em Takayama e Shirakawa-go, o reflexo das casas de telhado inclinado nos campos alagados é um cenário que só o início do verão traz.
- Vaga-lumes. No fim de maio e em junho, em córregos de Quioto e de vales do interior, os hotaru piscam à noite. É um programa curto e silencioso, que depende de noites sem vento forte.
- Cool Biz. Desde 1.º de junho, os escritórios afrouxam a roupa formal e regulam o ar-condicionado para economizar energia. Os homens trocam o paletó por camisa de manga curta, e o visitante vê isso nas ruas e nos trens.
- Guarda-chuva de vinil. As lojas de conveniência vendem os modelos transparentes, e lojas, estações e restaurantes oferecem sacos plásticos e suportes para guarda-chuva molhado na entrada.
Hokkaido: o norte que escapa
A monção não chega a Hokkaido. Sapporo tem junho ameno, com temperaturas por volta de 15 °C a 20 °C e céu mais aberto. No início do mês, a cidade recebe o Yosakoi Soran, um festival de dança em que grupos de bairros e universidades desfilam em trajes coloridos pelo centro. Para quem quer fugir do tsuyu, é uma região a considerar, embora exija um voo interno e um itinerário à parte do eixo Tóquio, Quioto e Hiroshima.
Okinawa: a chuva termina antes
Na ilha de Okinawa, o tsuyu começa em maio e costuma acabar na segunda metade de junho. Depois disso, o céu abre, o mar fica claro e o calor aumenta. Quem visita a ilha no fim do mês pega o começo do verão tropical, mas também o início da estação de tufões, que vai até o outono.
Quioto, Tóquio e a baixa temporada
Junho é baixa temporada para o turismo japonês, e as filas diminuem nos grandes templos. Em Quioto, o verde dos jardins fica saturado pela umidade, e o musgo dos jardins de pedra ganha cor intensa. Os trens funcionam normalmente. O que muda é o ritmo de quem viaja: dias de chuva pedem programas cobertos, como museus, mercados e casas de chá, e deixam os passeios ao ar livre para as horas de estiagem.
Como se vestir e se organizar
- Capa de chuva fina ou guarda-chuva forte. O guarda-chuva de bolso quebra rápido no vento.
- Calçado fechado que seque depressa; evite tecidos grossos como jeans, que demoram a secar.
- Roupas leves de secagem rápida e uma camiseta extra na mochila.
- Saco plástico para guardar celular e documentos em dias de chuva intensa.
- Margem de tempo nos passeios, porque trilhas ficam escorregadias.
O quarto de hotel costuma ter desumidificador ou secadora, e as lavanderias de hotel resolvem a roupa úmida, mas confirme na reserva.
Por fim, um lembrete de ritmo: junho pede dias mais curtos de caminhada e pausas em lugares cobertos. Quem viaja depois dos 50 costuma agradecer o horário solto, e o guia Japão depois dos 50 detalha como dosar os passeios quando o tempo não ajuda.
A água também ocupa o menu: junho é a época do hiyashi chuka, o macarrão frio com legumes e omelete fatiada, que aparece nos cardápios dos dias abafados, e das sobremesas de gelatina de ágar. Nas casas de chá de Quioto, o chá gelado entra em cena, e os doces trazem a forma de hortênsia.
Erros comuns em junho
- Programar a vista do Monte Fuji. Em junho, a montanha raramente aparece.
- Esquecer a umidade dentro dos ambientes. O ar-condicionado dos trens é forte, e a roupa molhada esfria.
- Planejar muito ao ar livre num só dia. Um dia de chuva pode cancelar o plano, e ter alternativas cobertas evita frustração.
- Contar com céu limpo em Okinawa antes do fim do tsuyu. Veja a previsão perto da data.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Nenhuma das jornadas da Govinda ao Japão foi pensada em torno da estação das chuvas: a casa desenha as suas em volta da florada e do outono. A Japão Kizuna, de 18 dias e só no Japão, aparece aqui apenas como referência de cidades e de ritmo. Se o seu motivo para junho é a Quioto mais vazia ou as hortênsias, vale conversar com a equipe antes de decidir, porque a chuva muda o ritmo do roteiro. Se prefere tempo mais firme, as páginas sobre abril e outubro são mais indicadas, e a visão do ano inteiro está em quando ir ao Japão.