Hanami é o costume de ver as cerejeiras em flor, em geral sentado sob as árvores, de dia ou à noite. A flor aberta dura cerca de uma semana e avança de sul a norte do país ao longo de semanas, de modo que a data exata de cada cidade só é conhecida com poucos dias de antecedência.
O essencial em fatos
A palavra hanami quer dizer, ao pé da letra, ver flores. A sakura, a cerejeira ornamental japonesa, é a flor mais celebrada do calendário, e a atenção é nacional: previsões são divulgadas na imprensa, e o noticiário acompanha o avanço da floração. Alguns fatos para entender o fenômeno:
- Avança de sul a norte. Começa em Okinawa, ainda no inverno, e termina em Hokkaido, em maio.
- Em Tóquio e Kyoto. O pico costuma ficar entre o fim de março e o começo de abril.
- Duração. Do primeiro botão aberto até a queda das pétalas passam-se cerca de duas semanas; a flor plena fica entre cinco e dez dias, conforme o vento e a chuva.
- Depende do clima. Um inverno mais frio atrasa a floração; um mais quente, antecipa. O desvio de uma semana, para mais ou para menos, é comum.
- Queda das pétalas. Quando o vento sopra, as pétalas caem em massa, um espetáculo que os japoneses chamam hanafubuki, algo como tempestade de flores.
Quando ir, cidade por cidade
A tabela de datas não existe com antecedência, mas o padrão regional é estável:
- Okinawa. É a primeira, entre janeiro e fevereiro, com uma cerejeira de flor rosa-escura, diferente da do continente.
- Tóquio e Kyoto. Final de março e começo de abril, na maioria dos anos. É a faixa que a maior parte dos viajantes procura.
- Alpes Japoneses e Takayama. Mais altos, florescem uma a duas semanas depois. Em Takayama, o Festival de Primavera costuma cair em meados de abril, em torno do pico das flores locais.
- Norte do país. De fim de abril a maio.
Um ponto de honestidade: ninguém acerta a data com meses de antecedência. Quem reserva uma viagem de primavera com o desejo de ver a flor corre o risco de pegar cedo demais ou tarde demais. Roteiros que passam por várias cidades, com latitudes e altitudes diferentes, aumentam a chance de ver a flor em algum ponto do trajeto. Para o panorama do mês, veja Japão em março e Japão em abril.
Onde ir
Em Tóquio
O Parque Ueno é um dos pontos clássicos, com centenas de cerejeiras alinhadas em avenidas e lanternas acesas à noite. Há outros jardins e margens de rio, e a água do canal coberta de pétalas é uma imagem tradicional da estação.
Em Kyoto
A cidade combina templos, canais e colinas, e a flor aparece em cenários muito diferentes: o Caminho do Filósofo, ao longo de um canal estreito, o parque Maruyama, perto de Gion, e os jardins de templos. O contraste entre a madeira antiga e a flor rosa-clara é o que a maioria das pessoas procura.
Em Nara e Himeji
Em Nara, as cerejeiras convivem com os cervos soltos no parque. Em Himeji, o castelo branco com flores ao redor é um dos postais mais fotografados. Veja os guias de Nara e de Himeji.
À noite
Muitas cidades iluminam as árvores em horários noturnos, o yozakura, a "sakura da noite". A luz muda a cor da flor e o clima do parque, mais calmo e mais frio. Leve agasalho.
Se a flor não coincidir
A cerejeira não é a única flor do calendário, e saber disso tira a pressão da data. A ameixeira (ume) floresce antes, entre fevereiro e março, e perfuma os jardins. As glicínias vêm no fim de abril e em maio, em cachos pendurados em pérgolas. O shibazakura, um tapete de flores rasteiras rosa, cobre encostas perto do Monte Fuji na primavera avançada. Em junho, as hortênsias de Kamakura e dos templos tomam o lugar das cerejeiras.
Há ainda o verde novo e o ar limpo do começo de abril, que por si só valem a viagem: dias claros, temperatura amena, jardins no auge. Mesmo quando a flor passa do ponto ou ainda não abriu, a estação continua sendo uma das mais agradáveis para andar a pé.
Como fazer um hanami
Hanami é, em essência, um piquenique sob as flores. O costume é simples:
- Estenda uma lona ou toalha no chão, em área permitida. Em dias de pico, grupos chegam cedo para reservar o lugar.
- Traga comida e bebida, ou compre em lojas de conveniência e em barracas. Algumas barracas de festa servem petiscos típicos.
- Aproveite sem pressa. O objetivo é ficar, não passar.
Etiqueta básica: não quebre galhos, não sacuda árvores, não suba nas raízes, e leve o lixo embora. Muitos parques têm áreas determinadas para sentar, e as placas indicam onde não pisar.
Em grupo, o que muda
Nas jornadas em grupo, a flor é um dos assuntos que mais pesa, porque a data da viagem é fixada com meses de antecedência. A mesma imprevisibilidade que vale para quem viaja só vale para o grupo, e é por isso que um trajeto com várias cidades, de latitudes e altitudes diferentes, ajuda. O que a casa pode prometer é o momento da primavera, e não o dia exato da flor.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A Japão e Coreia do Sul tem uma saída pensada para a primavera, com o nome de Florada das Sakuras. No terceiro dia, o programa visita o Parque Ueno, em Tóquio. Depois seguem Hakone, Takayama, nos Alpes Japoneses, Kyoto, Nara, Hiroshima, Miyajima e Okinawa, num arco que atravessa regiões de altitude e latitude diferentes.
A Japão Kizuna percorre Tóquio, Kyoto, Hiroshima e Okinawa, e a descrição da viagem cita as cerejeiras em flor como uma de suas paisagens possíveis. Em nenhuma das duas há garantia de ver a flor em plena abertura. Se a dúvida for onde o calendário se encaixa melhor, veja quando ir ao Japão. Para conhecer as jornadas, veja as datas.