Março no Japão começa com frio de fevereiro e termina com a primeira sakura em Tóquio e Quioto. A média em Tóquio sobe de 7 °C para 13 °C, a chuva dobra e a data da florada varia até dez dias de um ano para outro. É o mês da transição.
O mês em quatro semanas
Nenhum outro mês muda tanto de uma ponta a outra. Por isso a leitura por semana ajuda mais do que uma média.
Primeira semana: o inverno ainda manda
De 1 a 14 de março, o templo Todai-ji, em Nara, acende grandes tochas à noite no evento chamado Omizutori, que segundo o próprio templo se repete há mais de 1.250 anos sem interrupção. Como visita, é um espetáculo de fogo e brasas que caem da varanda do pavilhão, com multidão compacta e muito frio. Nara fica a cerca de 45 minutos de Quioto de trem.
No dia 3, o Hina Matsuri, o Dia das Meninas, enche vitrines e casas com bonecas vestidas à moda da corte antiga, dispostas em degraus. As lojas de doces vendem bolinhos em três cores para a data.
Segunda semana: o dia 14 e as ameixeiras
Em 14 de março é o White Day, quando os homens retribuem com presentes os chocolates recebidos em fevereiro. Na prática, as lojas de departamento seguem cheias de embalagens por toda a semana. As ameixeiras, que começaram em fevereiro, chegam ao fim nos parques de Tóquio, enquanto seguem em flor em lugares mais frios.
Terceira semana: equinócio e formaturas
Por volta do dia 20 cai o feriado do equinócio de primavera, e muitos japoneses aproveitam o fim de semana prolongado para viajar. Trens e hotéis em cidades turísticas ficam mais concorridos. É também época de cerimônias de formatura, em que jovens aparecem de quimono e de hakama pelas ruas e parques.
Quarta semana: a primeira sakura
A floração das cerejeiras começa em Tóquio e Quioto na última semana do mês, e a data muda até dez dias de um ano para o outro. O órgão meteorológico do governo publica previsões desde fevereiro e as atualiza a cada poucos dias. Mesmo assim, a regra de ouro é flexibilidade: quem fixa o roteiro em torno de uma data exata corre o risco de ver só botões ou, no outro extremo, pétalas já caídas.
O que muda no clima
Março tem três fatos de clima que o diferenciam de fevereiro:
- A média sobe de 7 °C para 13 °C. As manhãs ainda pedem casaco, mas as tardes chegam a 15 °C.
- A chuva sobe para cerca de 115 mm em Tóquio, o dobro de fevereiro, em pancadas e dias cinzentos.
- O vento dá sensação de frio, principalmente em Hakone e à beira do rio em Quioto.
Guarda-chuva dobrável e casaco leve com capuz resolvem a maioria dos dias. Em Takayama e nos Alpes Japoneses a neve ainda cobre as ruas nos dias frios, e a visita a Shirakawa-go pode oferecer um cenário misto de gelo e lama.
Pólen: o fator que ninguém lembra
De fevereiro a abril, o pólen de cedro afeta milhões de japoneses, e muitos usam máscara na rua. Viajantes sensíveis a rinite podem sentir coceira nos olhos e espirros, especialmente nos dias de vento seco. Levar o remédio habitual indicado pelo médico, óculos e lenços é prudente. O tema de saúde deve ser tratado com o médico do viajante, não com este guia.
O que fazer enquanto a flor não vem
Se a previsão aponta para a segunda quinzena e você chega antes, há o que ver. Os jardins de ameixeiras de Mito e de Atami estão em plena flor no começo do mês. Tóquio tem museus fora do circuito, mercados cobertos e o banho de onsen em Hakone, que fica mais confortável com a manhã fria. Em Quioto, as noites de março ainda são geladas, e os jardins de musgo e pedra estão sem multidão. O parque de Nara, com os cervos à solta, fica agradável nas tardes de 15 °C. Quem tem a data da flor como prioridade deve reservar os últimos dias da viagem para Tóquio ou Quioto, onde a previsão será mais certa.
Março frente a abril
Muita gente pergunta se março serve como alternativa mais tranquila ao pico da sakura. A resposta honesta é parcial. Em março há menos gente nos templos, mas a chance de pegar a flor aberta é menor e depende da previsão. Em abril, a chance é maior, e a multidão também. O guia sobre hanami, cerejeiras: quando e onde mostra a lógica do calendário, e a página sobre abril no Japão detalha o pico.
Quem chega em março vindo do inverno de fevereiro nota a diferença na luz: os dias já passam das seis da tarde com claridade, e a conversa nas ruas muda de tom, com mais gente sem casaco pesado nas tardes de sol.
Erros comuns em março
- Reservar para a flor sem margem. A primeira sakura pode vir cedo ou tarde. Dias extras no itinerário compensam.
- Contar com céu limpo como em janeiro. A chuva dobra.
- Confundir ameixeira com cerejeira. Em março inicial, as flores que se veem são das ume.
- Ignorar o fim do ano fiscal. Em 31 de março, as empresas japonesas mudam de ciclo, e muitas famílias mudam de casa. Os trens entre as grandes cidades ficam mais cheios, e os caminhões de mudança ocupam as ruas.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A jornada Japão e Coreia do Sul foi desenhada em torno de duas estações, a primavera da florada e o outono, e março fica na fronteira da primeira. O roteiro passa por Tóquio, Hakone, Takayama, Shirakawa-go, Kyoto, Nara, Hiroshima e Miyajima, desce a Okinawa e segue para a Coreia do Sul. Hiroshima entra como o Japão da memória, da reconstrução e da paz. As datas reais aparecem no site, em bloco próprio, e quem quiser saber se a florada cabe na sua agenda pode falar com a equipe. A visão do ano inteiro está em quando ir ao Japão.