Junho tem duas Índias. Na planície, o calor úmido pesa e a monção sobe do sul: chega ao Kerala por volta do dia 1 e a Delhi no fim do mês. Em Ladakh, atrás dos Himalaias, o tempo segue seco e a temporada está aberta. Escolher o roteiro é escolher o lado da montanha.
A monção em ordem de chegada
O fenômeno que define junho é a monção de verão, que sobe do oceano e cruza o país como uma frente. Em linhas gerais, o calendário é este:
- Kerala, por volta do dia 1. É a porta de entrada. Os canais, as palmeiras e o litoral ficam sob chuva forte e céu fechado.
- Mumbai, na primeira quinzena. A cidade acumula cerca de 500 mm de chuva em junho, e a estação ainda vai crescer em julho e agosto.
- Centro do país, ao longo do mês. As primeiras chuvas aliviam o calor, mas deixam o ar pesado.
- Delhi, no fim do mês. Antes da chegada, o termômetro marca cerca de 39 graus com umidade alta, a pior combinação do ano para quem caminha ao ar livre.
A data exata muda a cada ano, e a monção às vezes atrasa ou adianta. O que importa é a regra: quanto mais ao sul, mais cedo.
O avesso da planície: Ladakh
Ladakh fica numa região chamada de sombra de chuva. Os Himalaias barram a maior parte das nuvens da monção, e o vale de Leh recebe muito pouca água. Resultado: enquanto a planície encharca, Ladakh segue seco, de céu azul, e entra em plena temporada.
- Temperaturas: dias de sol forte, com máximas por volta de 20 a 25 graus, e noites frias. A diferença entre sol e sombra é grande.
- Estradas: a rota de Manali a Leh reabre em junho, depois de meses de neve. O acesso por terra, que depende de passos altos, começa a funcionar.
- Acampamentos e hospedagens: voltam a operar nas margens dos lagos e nos vales.
- Lago Pangong: com a estrada aberta, o acesso ao Lago Pangong é mais viável do que em maio.
Para o contexto geral do destino, Leh e Ladakh descreve o lugar e a altitude, que fica em torno de 3.500 metros na cidade. A adaptação à altitude é parte da viagem: primeiro dia livre, esforço gradual, hidratação. Quem tem dúvida sobre a própria condição deve consultar o médico do viajante antes de decidir.
Em Leh, o fim de tarde sobe até a Shanti Stupa, de cúpula branca, no alto da colina de Chanspa, para ver o vale com a luz baixa. O Palácio de Leh, do século XVII e de arquitetura tibetana, domina a cidade e abriga um museu com objetos da região.
O festival de Hemis
Junho traz, em alguns anos, o festival do mosteiro de Hemis, um dos maiores de Ladakh. Costuma cair entre junho e julho, porque segue o calendário tibetano. Em dois dias de programação, os monges dançam com máscaras e trajes coloridos no pátio do mosteiro, acompanhados de trombetas longas e tambores, diante de uma plateia de moradores e visitantes.
Para o visitante, vale tratar o evento como uma ocasião de observação respeitosa: ficar nos lugares reservados ao público, não interferir nas danças, perguntar antes de fotografar e seguir a orientação local. A data muda de ano para ano e precisa ser confirmada. O pátio enche cedo, e a estrada de acesso também.
A planície em junho
Nada disso se aplica à planície. Em Delhi e Agra, o calor de 39 graus com umidade alta cansa mais do que o calor seco de abril. Chuvas passageiras aparecem no fim do mês, e os fortes e monumentos de arenito têm pátios escorregadios.
A luz de junho também é diferente. Os dias são os mais longos do ano: em Delhi, o sol se põe perto das 19h20, o que dá bastante tempo de dia útil. Mas a umidade encurta o alcance do olhar, e o céu fica branco ou carregado. Para fotografia, é um mês difícil.
Mumbai em junho
Mumbai é uma cidade que muda de caráter com a chuva. A orla e as ruas ficam cinzentas e molhadas, o trânsito piora e alguns voos atrasam. É um mês que alguns moradores gostam, pelo verde e pelo frescor, mas que não combina com roteiros longos a pé. Quem precisa passar por Mumbai em junho deve contar com folgas e ter planos alternativos para as horas de chuva forte.
O sul em junho
Em Kerala, a monção traz chuva forte e contínua. O cenário dos backwaters fica verde e cheio, mas os passeios de barco e as praias dependem do tempo, e algumas hospedagens reduzem a operação. Para quem prefere ver Kerala em tempo seco, é melhor esperar o fim do ano.
Como decidir
Quatro perguntas ajudam a decidir se junho serve:
- O objetivo é Ladakh? Então junho é um dos melhores meses, com tempo seco e estrada aberta.
- O objetivo é a planície do norte? Então o mês é desfavorável: calor úmido e, no fim, chuva.
- O objetivo é o sul? Então a monção está no auge de chegada, e o programa precisa aceitar chuva.
- A data é fixa? Então vale combinar Ladakh com a menor passagem possível pela planície, em voos de conexão curtos.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A Terra dos Himalaias inclui Ladakh, com Leh, mosteiros e o Lago Pangong, e segue para Nepal e Butão, em 23 dias. A jornada foi desenhada para o outono, quando a monção já passou também no Nepal e no Butão, e por isso ela não é uma jornada de junho. Ladakh em junho está bem, mas o resto do percurso, em plena chuva, perderia o que o roteiro tem de melhor. Para quem pensa em junho, a resposta honesta é que nenhuma jornada da casa cobre esse mês; o guia de maio mostra o mês anterior, e quando ir à Índia compara os doze.