Darjeeling: chá, trem de brinquedo e a vista do Himalaia
Darjeeling é uma cidade de colinas em Bengala Ocidental, a cerca de 2.000 m, famosa pelo chá, pelo trem de brinquedo e pela vista do Kanchenjunga. Não faz parte das jornadas da casa.
Darjeeling é uma cidade de colinas no extremo norte de Bengala Ocidental, a cerca de 2.000 m de altitude, famosa pelo chá, pelo trem de brinquedo e pela vista do Kanchenjunga, o terceiro pico mais alto do mundo. Vale dois a três dias, de preferência em outubro, novembro, março ou abril. Não está em nenhuma jornada da casa.
Darjeeling em fatos e números
A cidade fica a 2.042 m, numa crista entre vales profundos, no Himalaia oriental, perto das fronteiras com Nepal, Sikkim e Butão. Foi estação de verão da administração britânica e conserva casarões de madeira, igrejas e escolas de internato daquele período. A população é majoritariamente de língua nepalesa, e o inglês e o hindi são usados no turismo.
O Kanchenjunga tem 8.586 m. Nos dias claros, a cordilheira aparece ao norte como uma linha branca acima das nuvens. Para ver o pico, o fator decisivo é a neblina: ela é frequente e pode esconder tudo por dias. Reserve pelo menos duas noites para ter chance de uma manhã aberta.
De Calcutá, o voo até Bagdogra, perto de Siliguri, leva pouco mais de uma hora. De lá, a subida pela estrada de serra toma cerca de três a quatro horas, dependendo do trânsito e do tempo.
O trem de brinquedo
A ferrovia Darjeeling Himalayan Railway, de bitola estreita, foi aberta nos anos 1880 para levar chá e passageiros da planície às colinas. É reconhecida pela Unesco desde 1999. O percurso completo sai da região de Siliguri e New Jalpaiguri e sobe cerca de 88 km, em muitas horas, com laços e inversões para vencer o desnível.
O trecho que a maioria dos visitantes faz é o curto, de algumas dezenas de minutos entre Darjeeling e a estação de Ghum, uma das mais altas do país, com parada no Batasia Loop, um laço de trilho com jardim e monumento. A locomotiva a vapor ainda circula em parte dos serviços; confirme se há trem a vapor na data da sua visita.
O chá e a paisagem
O chá de Darjeeling é cultivado em encostas íngremes entre 600 e 2.000 m. A colheita da primavera, a primeira, dá folhas claras e perfume floral; a segunda, de maio e junho, é mais encorpada. Há também a colheita do outono. O nome "Darjeeling" tem proteção de indicação geográfica.
Algumas propriedades recebem visitas guiadas, que mostram a colheita, a secagem e a degustação. Vale reservar com antecedência. A caminhada pelas fileiras é leve, mas o desnível exige fôlego em quem não está acostumado a altitude. Caso o tema seja altitude, o guia Ritmo e caminhadas na Índia dá uma ideia de esforço.
O que fazer na cidade
O Tiger Hill é o mirante clássico para ver o nascer do sol sobre o Kanchenjunga; a saída é de madrugada, com carro, por volta das 4 horas. Em dias nublados o passeio perde o sentido, então vale decidir na véspera pela previsão.
No centro, o Chowrasta é a praça de pedestres onde as pessoas se encontram ao entardecer, e o Mall Road reúne lojas, cafés e livrarias antigas. O Instituto de Montanhismo do Himalaia, com museu e jardim zoológico, mostra a história das expedições ao Everest e abriga pandas-vermelhos e leopardos-das-neves. Perto dali fica um centro de artesanato fundado por refugiados tibetanos, com tapetes e peças de madeira.
À mesa, nas montanhas
A cozinha de Darjeeling segue o gosto nepalês e tibetano. O momo, pastel cozido no vapor com recheio de legumes ou carne, é a refeição de rua mais comum, acompanhado de molho picante. Há também o thukpa, sopa de macarrão que esquenta bem nas noites frias, e o chá servido sem açúcar, com folha de colheita recente.
As casas de chá e as confeitarias antigas do centro, algumas abertas desde o período britânico, vendem bolo, torrada e geleia ao lado do bule. Vale reservar uma tarde só para sentar, sem plano de passeio.
Arredores de um dia
Duas cidades menores ficam na mesma crista de montanhas e cabem em um dia de carro. Kalimpong, a uns 50 km, é um mercado de montanha com viveiros de flores e antigos casarões. Mirik, mais perto da planície, tem um lago de beira de estrada e plantações de chá ao redor. Ambas pedem estrada de serra com curvas, o que cansa quem tem enjoo de carro.
Quando ir e o que levar
Outubro e novembro e depois março e abril oferecem os céus mais limpos. De junho a setembro a chuva e a neblina são constantes, e o transporte por estrada pode ser interrompido por deslizamentos. Dezembro e janeiro são frios, com noites perto de zero grau. O guia O que levar para a Índia ajuda a montar a mala com camadas.
Hotéis em montanha costumam ter aquecimento limitado: pergunte antes. Ruas íngremes e escadas pedem calçado de solado firme. Para quem anda menos, vale pedir quarto perto do Mall Road, onde as ruas são planas, e deixar as subidas para o carro. Mala leve ajuda: muitos hotéis ficam no alto de escadarias e o carregador nem sempre está por perto.
Erros comuns
- Reservar uma noite só e depender de um amanhecer limpo.
- Ir em plena monção esperando ver o Himalaia.
- Esquecer agasalho em outubro: as noites já são frescas.
- Subestimar o tempo de estrada entre Bagdogra e a cidade, especialmente em dias de chuva.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Darjeeling não faz parte de nenhuma jornada da casa. A Terra dos Himalaias segue o Himalaia por outro lado: Delhi, Leh e o lago Pangong, no alto Ladakh, depois Nepal e Butão. Nesse percurso, a montanha aparece em outra escala e em outra altitude.
Quem quer apenas conhecer Darjeeling pode montar uma extensão por conta própria, saindo de Calcutá, em um circuito curto. Para o Himalaia indiano visto de perto, veja a página Leh e Ladakh, onde a altitude é bem maior e exige adaptação. Não há convite de compra aqui: a página não resolve a escolha de uma jornada.