Kerala e os backwaters: barcos-casa, canais e o Sul da Índia
Kerala é o estado do extremo sudoeste da Índia, de canais, coqueiros e chá nas colinas. Pede quatro a cinco dias. Hoje a casa não tem jornada no Sul do país.
Kerala é o estado do extremo sudoeste da Índia, uma faixa de terra entre o mar da Arábia e as montanhas dos Gates Ocidentais, cortada por lagoas e canais. O passeio clássico é uma noite em barco-casa nos backwaters, perto de Alleppey, com Kochi e as colinas de chá de Munnar. Hoje a casa não tem jornada no Sul.
Kerala em fatos e números
O estado se estende por uma faixa estreita de costa, com cerca de 600 km de comprimento e largura entre 30 e 120 km. A língua é o malaiala, e o inglês funciona bem em hotéis e barcos. Kerala é conhecido pelo alto índice de alfabetização, pela culinária de coco e por ser um dos estados mais verdes do país.
O clima é tropical, quente e úmido, com temperaturas que variam pouco ao longo do ano. A monção de sudoeste chega por Kerala antes de qualquer outro estado, perto do início de junho. A região dos backwaters é praticamente ao nível do mar; Munnar, nas montanhas, fica a cerca de 1.500 m.
As principais portas de entrada são os aeroportos de Kochi (Cochin) e de Thiruvananthapuram (Trivandrum). Do norte do país, o voo até Kochi leva três horas ou mais, dependendo da origem e da escala.
Os backwaters
Backwaters é o nome dado ao sistema de lagoas, lagos e canais paralelos ao mar, entre Kochi, ao norte, e Kollam, ao sul. O maior deles é o lago Vembanad, que serve de eixo. Aldeias, plantações de arroz abaixo do nível da água, coqueiros e barcos de pescadores se sucedem em canais estreitos.
Alleppey (Alappuzha), às vezes chamada de Veneza do Oriente, é o ponto de partida mais comum. Kumarakom, na margem leste do Vembanad, é mais tranquila e conhecida pelas aves. Outra opção é Kollam, ao sul, com passeios de canoa guiados por moradores.
As lanchas turísticas fazem circuitos de algumas horas, mas a experiência que mais agrada é a de passar uma noite em barco-casa.
O barco-casa: como funciona
O barco-casa, chamado kettuvallam, deriva das antigas barcaças de transporte de arroz, feitas de tábuas unidas com fibra de coco e cobertas com palha. As versões atuais têm quarto, banheiro, sala e cozinha, com tripulação que prepara as refeições a bordo. O barco navega parte do dia e atraca no fim da tarde.
Vale perguntar com antecedência o roteiro exato, o número de horas de navegação e o tipo de embarcação, porque há grande variação. As regras de operação mudam, e alguns trechos recebem limites de movimento por razões ambientais. Confirme tudo na época da compra.
O período de navegação costuma ser silencioso, com paradas em aldeias. Quem sente enjoo em barco não tem motivo para se preocupar, porque a água é calma.
Kochi e as colinas de chá
Kochi, antiga Cochin, tem um bairro histórico, Fort Kochi, com redes de pesca chinesas montadas à beira da água, um palácio holandês, uma sinagoga do século XVI no chamado Jew Town e casas de influência portuguesa. É uma cidade para andar a pé, de preferência com guia local de manhã cedo.
Em Munnar, a cerca de 1.500 m de altitude, as encostas são cobertas por plantações de chá. A temperatura é mais fresca, e o passeio principal é caminhar entre as fileiras e visitar uma fábrica. A estrada que sobe de Kochi leva cerca de quatro a cinco horas.
A comida de Kerala pede coco, folha de curry, pimenta e peixe de água doce e salgada. Há também o sadya, refeição vegetariana servida em folha de bananeira, com mais de vinte pequenos pratos, tradicional em dias de festa. O guia Comer na Índia sem passar mal traz cuidados básicos.
Palco, especiarias e a floresta de Periyar
Kerala guarda duas artes de cena que se veem em teatros pequenos de Kochi, com sessões curtas feitas para visitantes: o kathakali, dança-teatro de maquiagem verde e vermelha e figurinos volumosos, e o kalaripayattu, arte marcial praticada em fossos de terra batida. Chegue cedo para assistir à maquiagem, parte do espetáculo.
Nas encostas dos Gates Ocidentais, perto de Thekkady, crescem pimenta, cardamomo, canela e baunilha. Muitas fazendas recebem visitas guiadas, com cheiro, folha e prova. Ali perto fica a reserva de Periyar, em torno de um lago artificial, onde barcos de passeio saem de manhã e ao fim da tarde. Elefantes e aves aparecem com alguma frequência, mas a visita à floresta não garante nenhum animal específico.
Quando ir
A melhor época vai de outubro ou novembro até fevereiro ou março, quando o clima é mais seco e o céu mais limpo. Entre junho e setembro a chuva é intensa, o que não impede a visita, mas muda a paisagem e a oferta de passeios de barco. Abril e maio são quentes e úmidos. Para o mapa geral do país, veja Quando ir à Índia.
No fim do verão local ocorrem festivais de colheita e corridas de barcos longos, com data móvel. Quem quiser coincidir com eles deve conferir o calendário do ano.
Erros comuns
- Reservar apenas uma noite sem considerar o deslocamento entre aeroporto, cais e hotel.
- Escolher barco-casa sem saber quantas horas de navegação estão incluídas.
- Viajar na monção esperando céu aberto.
- Subestimar a distância entre Kochi, os backwaters e Munnar: o trânsito de estrada é lento.
Onde isso entra numa jornada Govinda
As jornadas atuais da Govinda na Índia ficam no norte e no Himalaia, com entrada e saída por Delhi. Nenhuma delas passa por Kerala nem pelo Sul, e esta página não leva a um roteiro porque seria forçar a ligação.
Para ver onde a casa vai, o Rajastão está na Índia dos Marajás e as montanhas estão na Terra dos Himalaias. A diferença de clima, de comida e de ritmo entre o Norte e o Sul é tema do guia Norte ou Sul da Índia. Kerala combina bem com uma viagem por conta própria, depois de uma jornada ou separada dela.