Maio é o mês mais quente da planície indiana e, ao mesmo tempo, o mês em que o Himalaia começa a abrir. Delhi vai de 27 a 40 graus e o Rajastão passa de 45, enquanto Leh, no alto, fica entre 5 e 19 graus. Duas Índias no mesmo calendário: uma para suportar, outra para esperar.
A planície em maio
Quem olha para o mapa de maio vê um país dividido. Na planície do norte, o calor chega ao ponto máximo do ano antes das monções. Os números dão a medida:
- Delhi: de 27 a 40 graus, com tardes que podem passar disso.
- Rajastão: registros acima de 45 graus em algumas cidades do deserto.
- Varanasi: pode chegar a 42 graus.
- Chuva: ausente. A seca é total e o ar é quente como o de um forno.
Nessas condições, o roteiro tradicional de fortes e palácios perde o sentido. Uma visita ao ar livre às 13h não é um passeio, é uma prova de resistência. O ritmo possível é o de abril, só que mais estreito: sair antes do nascer do sol, terminar a visita antes das 10h, ficar dentro até o fim da tarde. Quem faz a planície em maio faz por motivo de trabalho, de agenda ou de preferência pessoal, e não pelo clima.
Um detalhe cotidiano: o vento quente do verão, o loo, torna a tarde difícil para quem fica exposto. Muitos moradores ficam em casa entre as 12h e as 16h, e a cidade esvazia. Fazer o mesmo é a lógica do mês.
A montanha que abre
Enquanto a planície cozinha, o Himalaia desperta. É em maio que os passos começam a reabrir depois do inverno:
- O passo de Rohtang, em Himachal Pradesh, reabre, e as estradas do Himalaia voltam a receber viajantes.
- As estradas que levam a Ladakh começam a ficar transitáveis, embora a abertura plena dependa do ano e da neve.
- Os mosteiros e vilarejos de altitude saem do isolamento do inverno e se preparam para a temporada.
O verbo é "começar". Nada está pleno em maio. As estradas podem fechar por deslizamento ou neve tardia, e a oferta de hospedagens, de transporte e de acampamentos ainda é parcial. É um mês de quem gosta de ver a montanha acordando, não de quem precisa de tudo funcionando.
Ladakh em maio
Leh, a capital de Ladakh, fica a cerca de 3.500 metros de altitude, e a chegada de avião exige um dia inteiro de adaptação. Em maio, as temperaturas ficam entre 5 e 19 graus: manhãs frias, tardes de sol forte, noites geladas. O ar é seco e o sol, intenso, porque a atmosfera é fina.
O que dá para ver:
- Leh e os arredores: mercado, palácio e mosteiros próximos, como Shey e Thiksey.
- A paisagem: montanhas ocres, vales amplos, rios que começam a degelar e ganham o tom azul-turquesa que dá fama à região.
O que pode faltar:
- O Lago Pangong: fica a 4.350 metros, tem cerca de 700 km², dos quais 70% estão no Tibete, e para chegar é preciso cruzar o Chang-la, a 5.360 metros. Em maio, a estrada pode estar com neve e as acomodações de acampamento podem não estar prontas.
- Os passos mais altos: abertura irregular.
- Serviços de turismo: parte do circuito só entra em operação plena em junho.
Para quem está pensando em Ladakh, Leh e Ladakh tem os detalhes do lugar.
Altitude e ritmo
Qualquer viagem acima de 3.000 metros pede um passo calculado. A recomendação geral é chegar com dia livre, comer leve, beber água, evitar esforço no primeiro dia e respeitar o ritmo do corpo. Quem tem problemas cardíacos, respiratórios ou de pressão deve conversar com o médico do viajante antes de decidir. Este guia não faz recomendação médica, e a decisão sobre altitude pertence ao viajante e ao seu médico.
As férias indianas e as estações de montanha
Maio e junho são os meses das férias escolares na Índia. Famílias inteiras vão para as montanhas fugir do calor, e cidades como Shimla, Manali, Mussoorie e Darjeeling ficam cheias de turistas indianos. Isso muda duas coisas: o trânsito de acesso às estações de montanha fica pesado, e a hospedagem sobe de procura. Quem pretende ir à montanha em maio deve tratar de trajetos e hotéis com antecedência, e contar com mais gente do que em abril.
O sul em maio
O sul não é refúgio. Kerala e o litoral esperam a chegada das monções, que costuma ocorrer por volta do início de junho. Em maio, o calor é úmido, as noites são pesadas e as tempestades de fim de tarde começam a aparecer. A paisagem verde só vem depois.
Erros comuns
- Confundir "montanha abrindo" com "montanha aberta". As estradas ainda são irregulares.
- Subir direto para a altitude sem adaptação. O primeiro dia deve ser de descanso.
- Tentar a planície no meio do dia. O calor de maio não tem a mesma lógica do calor de março.
- Esquecer a diferença de roupa. A mala precisa servir a 45 graus de dia na planície e a um dígito à noite na altitude.
- Fixar roteiros sem folga. Fechamento de estrada por deslizamento é parte do calendário.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A Terra dos Himalaias percorre Ladakh, Nepal e Butão em 23 dias, e foi desenhada para a janela de outono, quando as chuvas já passaram e o inverno ainda não chegou às altas montanhas. Não é uma jornada de maio, e a página não deve sugerir isso. Quem tem interesse em conhecer a região pode usar este guia para entender por que a temporada de Ladakh ganha sentido mais adiante no ano, e olhar o guia de junho para ver a diferença. Se a data de maio é inegociável, vale uma conversa com a equipe antes de qualquer decisão.