Agosto ainda é mês de monção na Índia. A chuva é intensa em boa parte do país, a umidade passa de 80% e as estradas das montanhas do norte podem ser interditadas sem aviso. Em compensação, o mês tem calendário próprio: o Dia da Independência, em 15 de agosto, e Ladakh em plena temporada. Funciona para quem escolhe a região certa.
O calendário de agosto, antes do clima
Em agosto, vale começar pelo que acontece nas ruas, porque é isso que dá motivo para viajar nessa época.
15 de agosto, Dia da Independência. É feriado nacional. Em Delhi, a bandeira é hasteada no Forte Vermelho, e o céu da cidade se enche de pipas nos dias em volta. Nas ruas, as lojas e os carros ganham bandeirinhas nas cores do país. O lado prático: o entorno do forte tem bloqueios e segurança reforçada, o trânsito muda, e alguns monumentos podem restringir a visita naquele dia.
Raksha Bandhan. Costuma cair em agosto, em data que segue o calendário lunar e muda a cada ano. É a festa dos irmãos: as bancas de doces e de fios coloridos tomam as calçadas dias antes, e as estações de trem e de ônibus ficam lotadas de gente voltando para casa.
Regata de Alappuzha, em Kerala. A corrida de barcos longos que se realiza tradicionalmente no segundo sábado de agosto, nos canais da região, reúne remadores aos gritos e arquibancadas improvisadas nas margens. É um dos poucos motivos para estar em Kerala em plena chuva.
Fim de agosto, Onam. A festa da colheita de Kerala cai entre o fim de agosto e setembro, e a data muda a cada ano. É coberta na página de Índia em setembro.
Clima: monção sem trégua
Os números de agosto mostram um mês pouco menos úmido que julho, mas ainda de chuva firme:
- Delhi: cerca de 250 mm no mês, máxima perto de 33 °C, umidade acima de 80%. Agosto é, em geral, o mês mais chuvoso da capital.
- Mumbai: cerca de 585 mm. Menos do que em julho, ainda o bastante para alagamentos.
- Kerala: chove com frequência, em pancadas curtas entre períodos de nuvem baixa.
- Himachal Pradesh e Uttarakhand: é o período de mais deslizamentos do ano, com trechos de estrada fechados por horas ou por dias.
A monção em agosto costuma ter "pausas": dias de céu aberto entre as frentes de chuva. Não dá para planejar em cima delas, mas explicam por que um mesmo mês rende relatos tão diferentes de quem foi.
Ladakh em temporada
Enquanto o resto do país se molha, Ladakh vive o seu auge. Leh, a cerca de 3.500 metros, tem máxima perto de 25 °C, céu limpo e estradas abertas. Os mosteiros de Shey e Thiksey recebem visitantes, o Lago Pangong, a cerca de 4.350 metros, está acessível, e a Shanti Stupa, na colina de Chanspa, funciona como mirante ao entardecer.
Por ser a temporada, os voos para Leh e as hospedagens da cidade costumam lotar com antecedência. Quem decide em cima da hora pode encontrar o trecho que queria já cheio. A orientação é a de sempre para altitude: um primeiro dia calmo, muita água e conversa prévia com o médico para quem tem condição cardíaca ou respiratória.
Rajastão e sul em agosto
O Rajastão recebe menos chuva do que Delhi, e isso muda o desenho de quem quer palácios sem alagamento. Nas planícies perto de Jaipur e Udaipur, a chuva vem em pancadas curtas, e os fortes de arenito ganham um tom mais escuro quando molhados. O Lago Pichola, em Udaipur, enche, e as colinas ao redor ficam verdes. Jaisalmer e o Thar, mais a oeste, continuam sendo o trecho mais seco, ainda que quente.
No sul, Kerala vive a estação de chuva firme. Os canais ficam cheios e o verde é denso, mas os passeios de barco dependem do dia. Goa está em plena entressafra, com a maior parte dos bares de praia desmontados e o mar agitado, e as bandeiras vermelhas nas praias indicam que não é época de banho.
O que muda na rotina de viagem
- Roupa: capa fina de chuva e calçado que seque rápido para as cidades; casaco para Ladakh, onde a noite é fria. Veja também o que vestir na Índia.
- Comida: em época úmida, vale redobrar o cuidado com saladas cruas e gelo. O guia para comer na Índia sem passar mal traz o básico.
- Deslocamentos: inclua margem de um dia a mais em qualquer trecho de montanha por terra.
- Fotografia: o céu carregado dá reflexos bonitos nos lagos de Udaipur, mas apaga o branco do Taj Mahal.
- Horário de monumentos: o 15 de agosto altera aberturas. Confira antes de montar o dia em Delhi.
Um último ajuste vale para o seguro-viagem. Em agosto, convém conferir se a apólice cobre interrupção por mau tempo e atrasos de transporte, porque as interdições de estrada e os voos remarcados são mais comuns do que em qualquer mês de inverno. Guarde os comprovantes de cada trecho, e deixe um dia de reserva antes do embarque de volta ao Brasil.
Agosto contra julho e setembro
Se a dúvida é qual dos meses de monção escolher, a diferença está no detalhe. Agosto traz o calendário mais cheio, com feriado nacional e festa da família, e deixa Ladakh no auge. Julho é um pouco mais chuvoso em Mumbai e mais vazio de eventos; confira Índia em julho. Setembro, por sua vez, é o mês em que a monção recua: Índia em setembro mostra por que a segunda quinzena abre o ar.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Nenhuma jornada da casa foi desenhada para agosto, e a página prefere dizer isso a forçar um caminho. Quem quer Ladakh como destino de montanha pode olhar A Terra dos Himalaias, que reúne Índia, Nepal e Butão em 23 dias, com Leh, os mosteiros, o Lago Pangong, o Vale de Kathmandu e o Ninho do Tigre, no Butão. O roteiro foi pensado para a janela de outono do Himalaia, que vem depois das chuvas. Quem prefere cidades históricas e palácios fica mais bem servido no inverno.