Janeiro é inverno no norte da Índia: manhãs frias, tardes amenas e céu limpo, com Delhi entre 7 e 21 graus. É um dos meses preferidos para o Rajastão, porque o deserto dá uma trégua do calor. O custo é a neblina, que pode atrasar voos e trens da manhã e encobrir o Taj Mahal.
Janeiro em números e em cidades
A Índia tem tantos climas que "janeiro" quer dizer coisas diferentes conforme o mapa. No norte, onde ficam Delhi, Agra, Jaipur e Varanasi, é o mês mais frio do ano. No sul, é o contrário: ameno, seco e estável.
- Delhi: entre 7 e 21 graus, com pouca chuva. As máximas permitem andar de camisa de manga comprida ao meio-dia; as mínimas pedem casaco.
- Varanasi: amanhece em torno de 9 graus. Quem sai para o rio antes do sol sente o frio úmido de quem está perto da água.
- Agra e Jaipur: parecidos com Delhi, com noites de um dígito em boa parte do mês.
- Deserto do Rajastão: dias secos e claros, madrugadas bem frias. A amplitude entre a tarde e a noite é grande.
- Kochi e o litoral do Kerala: cerca de 32 graus e tempo seco, sem relação com o frio do norte.
Os dias são curtos. O sol se põe pouco depois das 17h30 em Delhi, e a programação de fim de tarde precisa caber nessa janela. Quem planeja fotografar fortes e palácios com luz dourada deve contar com uma hora útil, não com três.
A neblina e o que ela muda no roteiro
O traço mais característico de janeiro no norte é a neblina da manhã. Ela se forma sobre a planície do Ganges nas noites frias e costuma levantar entre o meio da manhã e o começo da tarde. Em dias carregados, tem três efeitos práticos:
- Voos da manhã podem atrasar ou ser remanejados, principalmente em Delhi.
- Trens do norte acumulam atrasos, e quem depende de conexão deve folgar horários.
- O Taj Mahal pode amanhecer encoberto. Quem vai ao nascer do sol às vezes vê só um contorno claro; o mármore aparece por inteiro quando a neblina abre.
A resposta de quem organiza viagens aqui é simples: não amarrar um compromisso importante ao primeiro voo do dia e deixar uma margem entre cidades. Uma jornada pensada para janeiro distribui as visitas ao ar livre para depois das nove ou dez da manhã e usa as primeiras horas para trajetos de ônibus.
O calendário do mês: pipas e desfile
Dois eventos dão cor ao mês. O primeiro é o Makar Sankranti, em meados de janeiro, que marca a passagem do sol no calendário indiano. É feriado em boa parte do país e, em Gujarate, é a festa das pipas: em Ahmedabad o céu fica cheio delas durante dias, e as ruas vendem fios, carretéis e papel. Fora de Gujarate, o mesmo período tem outros nomes e doces próprios, como os de gergelim e açúcar de palma.
O segundo é o Dia da República, em 26 de janeiro. Em Delhi há um desfile militar e cultural, com carros alegóricos de vários estados, na avenida cerimonial do centro da cidade. O trânsito é fechado em vários trechos, e a segurança é reforçada na capital nessa semana. Quem está em Delhi nesse dia deve contar com deslocamentos mais lentos e com pontos de passagem controlados. As datas de ambos os eventos podem variar de um ano para outro, então vale confirmar perto da viagem.
O que levar na mala em janeiro
Roupa em camadas resolve quase tudo. A rotina típica pede:
- uma camada fina de base, de algodão ou fibra técnica;
- um agasalho médio para as manhãs e as noites;
- um casaco mais firme para o Rajastão e para o deserto;
- lenço ou xale, útil também para entrar em lugares onde se cobre ombros e cabeça;
- calçado fechado e confortável, porque pátios de pedra são frios pela manhã.
Protetor solar continua necessário: o céu limpo deixa o sol de inverno mais forte do que parece. Sobre cuidados com saúde, a orientação é conversar com o médico do viajante ou procurar um centro de referência antes da viagem; este guia não substitui essa consulta.
O Rajastão no inverno
Se existe um mês em que o Rajastão pede para ser visitado, é janeiro. A sequência clássica passa por Jaipur, com o Palácio dos Ventos, o Forte Amber e o City Palace; por Jodhpur, com o Forte Mehrangarh sobre a cidade de casas azuis; e por Udaipur, onde o lago reflete os palácios. No verão, essas visitas ao ar livre viram sacrifício. Em janeiro, caminhar pelas muralhas de arenito ao meio-dia é agradável.
Há uma ressalva: os palácios e fortes têm pátios e salões de pedra que retêm o frio. Entrar neles em uma manhã de neblina pode ser mais gelado do que andar ao sol. Também é preciso lembrar que as noites no deserto podem cair a poucos graus.
Para ler sobre alguns desses lugares, veja Jodhpur, Udaipur e o Forte de Amber, em Jaipur. Para comparar janeiro com os outros meses, há o guia de quando ir à Índia.
Erros comuns em janeiro
- Subestimar o frio da manhã. Delhi no mapa parece quente; a 7 graus, com vento, não é.
- Marcar voo curto na manhã seguinte a um compromisso que não pode falhar. A neblina não avisa.
- Contar com o pôr do sol tardio. Os dias fecham cedo e a luz boa dura pouco.
- Esquecer que o sul é outro clima. Quem combina norte e Kerala leva roupa de inverno e de verão na mesma mala.
- Ignorar o calendário. Em torno de 26 de janeiro, a capital trabalha em ritmo diferente.
Onde isso entra numa jornada Govinda
A Índia dos Marajás foi desenhada para esta janela: 18 dias e cinco cidades do Rajastão e arredores, entre Delhi, Agra, Jaipur, Jodhpur, Ranakpur e Udaipur, com um voo interno para encurtar a distância entre Jaipur e Jodhpur. O ritmo respeita o que janeiro pede: visitas externas distribuídas ao longo do dia, deslocamentos longos de ônibus privativo pela manhã e tempo em cada cidade em vez de uma lista maior de lugares. Com mais de duas semanas no total, o grupo vai de Delhi ao deserto sem pressa, e quem preferir conferir o desenho completo do percurso encontra o dia a dia na página da jornada.