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Calcutá: a cidade das letras, do rio Hooghly e dos mercados de flores

Kolkata · 3 dia(s)

Calcutá, ou Kolkata, é a capital de Bengala Ocidental, às margens do rio Hooghly. Pede dois a três dias de caminhada entre mercado de flores, arquitetura britânica e livrarias.

Calcutá vale dois a três dias para quem gosta de cidade grande com memória: o rio Hooghly e a ponte de Howrah, o mercado de flores à beira da água, a arquitetura do período britânico e as livrarias da College Street. É uma cidade para andar devagar, de preferência entre novembro e fevereiro, quando o ar seca e esfria.

Calcutá em fatos e números

Calcutá fica no leste da Índia, na margem do rio Hooghly, um dos braços do Ganges, perto do delta que desemboca na baía de Bengala. É a capital do estado de Bengala Ocidental. O nome oficial é Kolkata desde 2001; em português, a forma Calcutá segue em uso, e os dois nomes aparecem em placas, mapas e passagens.

Foi a capital da Índia britânica até 1911, e isso explica boa parte do que se vê: avenidas largas, edifícios de tijolo e estuque, igrejas góticas, um parque enorme no centro, o Maidan, onde a cidade joga críquete e faz piquenique aos domingos. A cidade está ao nível do mar, com clima tropical úmido.

Fala-se bengali nas ruas, mas o inglês resolve em hotéis, estações e museus. Calcutá tem o primeiro metrô da Índia, inaugurado nos anos 1980, e ainda conserva linhas de bonde pelas ruas centrais, algo raro no país. De Delhi, o voo leva cerca de duas horas e meia.

O rio, a ponte e o mercado de flores

Comece pela água. A ponte de Howrah, de aço em balanço, liga Calcutá à cidade vizinha de Howrah, onde fica a grande estação ferroviária. Concluída nos anos 1940, é cruzada todos os dias por uma multidão a pé, de ônibus e de carrinho de mão. Vale vê-la do nível da margem, não só do carro.

Logo abaixo da ponte fica o Mullick Ghat, o mercado de flores. Montanhas de calêndulas, rosas e guirlandas chegam de madrugada em barcos e caminhões, e o movimento é maior nas primeiras horas da manhã. Dá para ir antes do café e voltar ao hotel para descansar.

Balsas e barcos pequenos atravessam o Hooghly o dia todo. Uma travessia curta, de uma margem à outra, toma pouco tempo e dá a melhor vista da ponte e dos antigos armazéns da orla. Perto do Prinsep Ghat há um trecho de jardim à beira do rio onde as famílias passeiam ao fim da tarde.

No bairro de Kumartuli, ao norte, ficam as oficinas de escultores de argila. Trabalham em figuras de barro cru, secando ao sol pelas vielas. É um bairro apertado: visite com um guia local e peça licença antes de fotografar.

Arquitetura, museus e a casa de Tagore

O Victoria Memorial, de mármore branco, foi inaugurado nos anos 1920 em meio a jardins. Hoje abriga um museu sobre a história da cidade e do período britânico. O Museu Indiano, fundado em 1814, é considerado o mais antigo do país e reúne desde fósseis até esculturas antigas.

A catedral de São Paulo, de estilo neogótico, é de meados do século XIX, e a região do Esplanade e de Dalhousie Square concentra prédios administrativos do mesmo período. Não é preciso entrar em todos: uma volta de táxi ou a pé, com paradas para olhar fachadas, já mostra a escala da cidade imperial.

Rabindranath Tagore, poeta bengali e primeiro asiático a receber o Nobel de Literatura, em 1913, nasceu em Calcutá. A casa da família, Jorasanko Thakurbari, funciona como museu e é um bom contraponto ao lado britânico da cidade: mostra a vida intelectual bengali, com música, teatro e pintura, que fez de Calcutá a cidade das letras.

Livros, comida e o ritmo da rua

A College Street é um quilômetro de bancas de livros usados, editoras e papelarias ao lado das faculdades. No meio dela está o Indian Coffee House, salão de pé-direito alto onde estudantes e professores discutem de tudo. Reserve uma tarde, sem pressa.

Na mesa, Calcutá é a cidade dos doces de leite: rosogolla, sandesh, mishti doi (iogurte adocicado servido em pote de barro). Entre os salgados, o kathi roll (massa fina enrolada com recheio grelhado) e o phuchka, bolinhas crocantes recheadas com batata e tamarindo. O peixe de rio com mostarda é o prato da casa bengali. Quem tem estômago sensível pode seguir as dicas do guia Comer na Índia sem passar mal.

O chá chega em copinho de barro descartável, chamado bhar, que se joga fora ao terminar. Os táxis amarelos antigos já não são fabricados, mas ainda circulam e fazem parte da paisagem.

Quando ir e como organizar os dias

Entre novembro e fevereiro o clima é o mais gentil: dias secos e mornos, noites frescas. De março a maio o calor sobe com umidade, e de junho a setembro as monções trazem chuvas fortes e alagamentos pontuais. Outubro é mês de festas de rua em Calcutá, com a cidade cheia e os quartos disputados: planeje com antecedência. O mapa geral de estações está em Quando ir à Índia.

Um roteiro de três dias funciona assim: no primeiro, o rio, a ponte e o mercado de flores pela manhã, e o Victoria Memorial e o Maidan à tarde; no segundo, a College Street, a casa de Tagore e a catedral; no terceiro, um bairro à escolha, como Kumartuli ou Park Street, e tempo livre.

Erros comuns

  • Tentar ver tudo em um dia. O trânsito é lento e cada deslocamento consome meia hora ou mais.
  • Ir ao Maidan ou à ponte no meio da tarde de verão, sem sombra nem água.
  • Subestimar a umidade: leve roupas leves de algodão e calçado fechado e confortável para as calçadas irregulares.
  • Fotografar pessoas sem pedir licença, em especial nos ghats e nas oficinas.

Onde isso entra numa jornada Govinda

A Peregrinação de Yogananda passa por Calcutá: o grupo chega de Varanasi por voo doméstico no 9º dia, fica três noites e segue para Ranchi no 12º dia, também por voo. A hospedagem, segundo o roteiro, é em ashram. Nesses dias a cidade é percorrida por locais ligados à vida de Paramahansa Yogananda, entre eles Dakshineswar e Serampore, às margens do rio.

Isso quer dizer que, nessa jornada, Calcutá é vista pelo fio condutor da viagem, e não como passeio turístico livre. Quem quiser a cidade pelos mercados, pela arquitetura e pelos livros pode usar este guia como roteiro próprio. Para outras jornadas pelo norte do país, veja também Norte ou Sul da Índia.

Perguntas frequentes

Quantos dias reservar para Calcutá?

Dois dias dão uma visão boa do rio, da ponte, do Victoria Memorial e da College Street. Com três, sobra tempo para a casa de Tagore, um bairro de oficinas e uma tarde sem programa. Mais do que quatro só faz sentido para quem quer museus, teatro e vida cultural em profundidade.

Qual é a melhor época para visitar Calcutá?

De novembro a fevereiro, quando o ar é seco e as temperaturas são suaves. Março a maio traz calor úmido, e entre junho e setembro as chuvas de monção atrapalham os passeios a pé. Outubro tem festas de rua e a cidade fica lotada, o que pode ser tanto um motivo quanto um problema.

Calcutá é muito diferente de Delhi?

Sim. Delhi é cidade de monumentos espaçados e avenidas amplas. Calcutá é mais densa, mais úmida e mais literária, com o rio como eixo. Quem faz as duas percebe a diferença na comida, no idioma e no ritmo. Há uma página dedicada à capital: Delhi em três dias.

Dá para andar a pé pela cidade?

Em trechos, sim: o centro histórico, a College Street e a orla do rio. Entre um bairro e outro, o metrô e o táxi poupam tempo. A maior dificuldade é a calçada irregular e a umidade, não a distância. Para quem anda menos, o guia Ritmo e caminhadas na Índia ajuda a medir o esforço.

Como ir de Calcutá a Darjeeling?

Voa-se até Bagdogra, perto de Siliguri, e segue-se por estrada, por cerca de três a quatro horas, até as colinas. Também há trem noturno até a região. Confirme horários e conexões na época da viagem. A página Darjeeling detalha o trajeto e a vista do Himalaia.