Para a primeira vez, o norte costuma fazer mais sentido: Delhi, Agra e Jaipur formam o eixo que se imagina ao pensar em Índia, com o Taj Mahal, os fortes e os palácios. O sul serve melhor a quem já esteve no norte, ou a quem busca ritmo lento, clima tropical e uma cozinha totalmente diferente.
Dois países dentro de um
A Índia tem mais de três milhões de quilômetros quadrados, e a distância entre Delhi e o estado de Kerala passa de 2.000 km em linha reta. Ir de um extremo a outro equivale a um voo doméstico de algumas horas, e isso já indica que combinar norte e sul numa primeira viagem tende a consumir tempo demais com deslocamento.
As diferenças vão além da geografia. No norte se fala hindi, a arquitetura é marcada pelos impérios mogóis e pelas cortes do Rajastão, e o prato típico gira em torno de trigo, pães como o naan, lentilhas e o iogurte. No sul, as línguas são dravídicas, como tâmil e malaiala, o inglês funciona como ponte entre regiões, os templos seguem outra linguagem de pedra e a mesa é de arroz, coco, folha de bananeira e crepes fermentados como o dosa.
O que o norte entrega
O norte reúne, em um raio relativamente curto, os nomes que fazem a fama do país. Delhi mistura a Nova Delhi de avenidas britânicas com a Velha Delhi de becos e mercados; veja a página sobre Delhi. Agra guarda o Taj Mahal e o Forte de Agra, a cerca de 240 km da capital. Jaipur, a cidade rosa, traz o Palácio dos Ventos, o City Palace e o Forte de Amber. Mais a oeste, no Rajastão, vêm Jodhpur, com o forte de Mehrangarh, e Udaipur, entre lagos. Varanasi, às margens do Ganges, é outra paisagem, de escadarias de pedra e ruas estreitas.
O inverno do norte, de novembro a fevereiro, é a melhor janela: dias claros e noites frescas. Entre abril e junho o calor no Rajastão castiga, e de julho a setembro a monção traz chuva. O guia de quando ir à Índia mostra o calendário completo.
O que o sul entrega
O sul tem outro andamento. Kerala, no extremo sudoeste, é conhecida pelos canais e lagoas, os backwaters, onde se navega em barcos de madeira entre arrozais e coqueiros; veja a página dos backwaters de Kerala. Há plantações de chá e especiarias nas colinas e uma costa de palmeiras. Tamil Nadu, vizinha, concentra templos dravidianos de torres esculpidas, algumas de mais de mil anos. Mysuru, no estado de Karnataka, é cidade de palácio e mercado de flores, descrita na página de Mysuru. Goa é a faixa de praia, com herança portuguesa na arquitetura e no vocabulário; há a página de Goa.
O clima é tropical o ano todo. Os meses de melhor tempo vão aproximadamente de novembro a março, com menos umidade; a monção atinge Kerala por volta de junho, antes do norte, e traz chuva forte. O calor do sul é úmido e mais pesado de suportar do que o calor seco de Jaipur.
Como pesa cada fator
- Densidade de patrimônio: o norte ganha. Em uma semana é possível ver três ou quatro locais de primeira grandeza.
- Ritmo: o sul ganha. As distâncias internas são menores em Kerala e os dias podem ser mais contemplativos.
- Comida: depende do paladar. O norte é mais gorduroso e condimentado, com derivados de leite. O sul é mais leve, com arroz e coco, e costuma agradar quem tem receio da comida picante do primeiro dia, embora ainda seja bem apimentado.
- Logística: o norte tem a rota mais testada. O sul exige voos domésticos mais frequentes e conhecimento de regiões menos organizadas para o turismo estrangeiro.
- Choque inicial: Delhi é intensa; Kochi e Kerala costumam ser mais suaves como porta de entrada.
Quantos dias cada lado pede
No norte, a conta é aritmética: Delhi pede ao menos dois dias, Agra um dia inteiro e uma noite, Jaipur outros dois. Esse é o Triângulo Dourado clássico, que se percorre em cerca de uma semana, e quem acrescenta o Rajastão ocidental, com Jodhpur e Udaipur, soma mais cinco ou seis dias. Trajetos de três a quatro horas por estrada entre uma cidade e outra são normais, de modo que a viagem pede condução confortável e paciência com a janela do carro.
No sul, a conta é de bases: três ou quatro noites na região dos canais de Kerala, mais algumas nas colinas de chá, e uma segunda base em Tamil Nadu ou Karnataka se houver interesse em templos e palácios. O sul recompensa quem fica parado; o norte recompensa quem se desloca com método.
Erros comuns
O primeiro erro é tentar norte e sul em uma só viagem de duas semanas: dois voos longos e uma semana consumida em aeroportos para ver pouco de cada lado. O segundo é escolher o sul esperando praias de cartão-postal em qualquer época; fora da temporada, o mar fica agitado. O terceiro é escolher o norte para um mês de verão, quando o calor passa de 40 graus no Rajastão. E o quarto é achar que o Triângulo Dourado, o eixo Delhi, Agra e Jaipur, é suficiente para sentir o país; ele é uma boa introdução, não um retrato.
Quando nenhum dos dois serve
Quem procura trilhas e altitude encontra mais no Himalaia do que em qualquer ponto do norte ou do sul tratados aqui. Quem quer praia de descanso, sem monumentos, terá opções melhores em outros destinos asiáticos. E quem tem menos de dez dias úteis deve considerar se o voo longo compensa; em viagens curtas, o desgaste de transporte pesa mais do que em qualquer comparação entre regiões.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Todas as jornadas indianas da Govinda ficam no norte; nenhuma vai ao sul. A Índia Sagrada passa por Delhi, Varanasi, Vrindavan, Agra, Jaisalmer e Rishikesh, com os Himalaias ao fundo. A Índia dos Marajás percorre Delhi, Agra, Jaipur, Jodhpur, Ranakpur e Udaipur, o eixo dos palácios e dos fortes. Quem tem o sul como prioridade não encontrará essa região entre as jornadas da casa e fará bem em buscar outra forma de viajar até lá. Quem quer a primeira Índia, sim, encontra nas duas um caminho conduzido em português.