Delhi em três dias: o que ver e como encaixar a capital numa viagem à Índia
Delhi reúne duas cidades em uma: a velha, mogol, de mercados e mesquita, e a nova, de avenidas largas desenhadas pelos britânicos. Três dias bastam para o essencial.
Três dias bastam para ver o essencial de Delhi: um para a cidade velha de Shahjahanabad, com a Jama Masjid, o Forte Vermelho e os mercados; outro para Nova Delhi, com suas avenidas britânicas e o Portão da Índia; e um terceiro para túmulos, jardins e torres. Com apenas um dia, vale escolher entre a cidade velha e a nova.
Delhi em fatos e números
Delhi fica na planície do norte da Índia, na margem do rio Yamuna, a cerca de 220 metros de altitude. Não há subida nem esforço de altitude: o que cansa é a distância entre os pontos de visita e o trânsito. Entre o Forte Vermelho e o Qutb Minar, por exemplo, são uns 15 a 20 quilômetros, e o trajeto pode levar mais de uma hora.
A cidade tem duas faces que se visitam separadamente. A velha, chamada de Shahjahanabad, foi traçada no século XVII pelo imperador mogol Shah Jahan, o mesmo que mandou erguer o Taj Mahal. A nova foi planejada pelos arquitetos britânicos Edwin Lutyens e Herbert Baker e inaugurada como capital em 1931, com avenidas largas, rotatórias e prédios de governo em arenito vermelho.
O fuso horário é de oito horas e meia à frente de Brasília. Para quem chega do Brasil, o primeiro dia em Delhi costuma ser de ajuste do corpo, e é assim que ele deve ser planejado.
Quanto ao clima, de outubro a março os dias são agradáveis e as noites, frescas. Em dezembro e janeiro, as manhãs trazem névoa e ar pesado, que às vezes atrasam voos. De abril a junho o calor passa dos 40 graus, e de julho a setembro vem a monção, com ar úmido e chuvas fortes.
O que ver, dia a dia
Primeiro dia: a cidade velha. O ponto de partida é a Jama Masjid, concluída em 1656, a maior mesquita do país. Para entrar, ombros e joelhos ficam cobertos e os sapatos, na entrada. A subida ao minarete oferece uma vista dos telhados de Shahjahanabad. De lá, a Chandni Chowk, a avenida principal da cidade velha, leva ao Forte Vermelho, a antiga residência imperial, reconhecida pela Unesco. O trecho entre a mesquita e o forte se faz bem de riquixá, pelas ruelas de fios elétricos e lojas de especiarias, tecidos e doces. É o dia mais intenso em ruído e gente.
Segundo dia: Nova Delhi. A avenida cerimonial que liga o Rashtrapati Bhavan, a residência presidencial, ao Portão da Índia, memorial de guerra inaugurado em 1931, é o eixo da cidade britânica. Perto dali ficam as arcadas de Connaught Place, o centro comercial em círculos concêntricos, bom para uma pausa de café e para trocar dinheiro e comprar um chip. O Gandhi Smriti, museu instalado na casa onde Mahatma Gandhi passou seus últimos dias, completa o dia com um ritmo mais lento. Entre os templos, o gurdwara Bangla Sahib, sique, pode ser visitado de cabeça coberta e pés descalços, e a cozinha comunitária ao lado serve refeições gratuitas a quem chega.
Terceiro dia: túmulos, jardins e torres. O Túmulo de Humayun, de 1570, é o primeiro grande exemplo de jardim funerário mogol e antecede o Taj Mahal em quase um século. O Qutb Minar, uma torre de tijolo de cerca de 70 metros, começou a ser construída em 1193 e é o monumento mais antigo da lista. Entre um e outro, os Jardins Lodhi, com tumbas dos séculos XV e XVI em meio a gramados, servem de intervalo.
Como encaixar Delhi numa viagem à Índia
Delhi é, quase sempre, a porta de entrada e de saída. Os voos do Brasil costumam pousar de madrugada ou ao amanhecer, e dali partem os voos internos para o Rajastão, Varanasi, Rishikesh e Leh, além da estrada para Agra, a cerca de 240 quilômetros. Por isso há duas maneiras honestas de usar a cidade.
A primeira é no início da viagem: reservar um dia de descanso após o voo e depois dois de visita. A segunda é no fim, deixando um dia solto antes do voo de volta, para compras e imprevistos. Quem escolhe uma só deve preferir o início: ver a cidade velha com sono é mais difícil do que fazer compras com sono.
Vale também separar Delhi das cidades seguintes. Quem sai para Agra e Jaipur no dia seguinte à chegada junta cansaço de voo com cansaço de estrada. Um dia de margem custa pouco e muda o humor da semana toda. A página sobre jet lag e ritmo na Ásia detalha esse ajuste.
Erros comuns e o que mudaria
- Visitar a cidade velha ao meio-dia. Calor, fumaça de fogareiros e multidão se somam. O horário melhor é o início da manhã ou o fim da tarde, e a mesquita fica mais bonita com luz baixa.
- Pensar em Delhi como um bairro só. Quem tenta cobrir cidade velha, Nova Delhi e Qutb Minar no mesmo dia perde mais tempo em carro do que em monumento.
- Aceitar ajuda de quem aborda na saída de estações e portões. Ofertas de "escritório oficial de turismo" ou de passeio improvisado costumam levar a lojas. Combine transporte e roteiro com antecedência.
- Ir de camiseta sem manga e bermuda a templos e mesquitas. Um lenço grande e roupas que cubram ombros e joelhos resolvem a questão.
- Experimentar comida de rua no primeiro dia. Ela é parte da cidade, mas fica melhor para o terceiro dia, com o estômago adaptado.
Se o tempo for curto, corta-se primeiro o terceiro dia. Não se corta a cidade velha, porque nenhum outro lugar do país concentra tanta vida cotidiana numa distância que se faz a pé.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Nas jornadas da casa, Delhi é a chegada, a partida e a base dos voos internos. Na Índia dos Marajás, o segundo dia é livre para ajustar o corpo ao fuso, e o terceiro percorre Nova Delhi (o Rashtrapati Bhavan e Connaught Place) e a cidade velha, com a Jama Masjid e um passeio de tuk-tuk pelos mercados. Na Índia Sagrada, a capital recebe dois dias de visita, com o Templo Akshardham, o gurdwara Bangla Sahib, o Gandhi Smriti, a Jama Masjid e o passeio de riquixá. Em ambas, a visita ocupa pouco mais de um dia, e não os três que esta página sugere para quem viaja por conta própria.