Udaipur: lagos, palácios e o Rajastão mais calmo
Udaipur reúne lagos, colinas e palácios que se refletem na água, num ritmo mais lento que o das outras cidades do Rajastão. Três dias permitem ver sem correr.
Três dias bastam para Udaipur: um para o City Palace e as ruelas do centro antigo, outro para o lago Pichola de barco e os jardins, e um terceiro para ateliês de artesanato e miradouros. É a cidade mais calma do Rajastão, onde o olhar descansa na água em vez de ser puxado de monumento em monumento.
Udaipur em fatos
Udaipur foi fundada em 1559 pelo marajá Udai Singh II, capital do reino de Mewar, em um vale cercado pelas colinas Aravalli, a cerca de 600 metros de altitude. A cidade se desenha em torno de lagos: o Pichola, o maior e mais visitado, e o Fateh Sagar, ao norte. Sobre as águas do Pichola ficam duas ilhas com construções, a do Jag Mandir e a do Jag Niwas, onde está o palácio hoje usado como hotel.
O City Palace ocupa a margem leste do Pichola. É um conjunto de edifícios erguidos ao longo de cerca de quatro séculos, com terraços sobre o lago, pátios de espelhos e salas de pintura. Uma parte continua como residência da família real, e outra funciona como museu.
As distâncias são curtas para o padrão do Rajastão. Até Ranakpur são uns 100 quilômetros e duas horas de estrada, até Jodhpur cerca de 250, e até o forte de Chittorgarh uns 115. A cidade é pequena, e o centro antigo se faz a pé.
O que fazer, em ritmo de lago
O City Palace e o centro antigo. O palácio rende duas a três horas, entre pátios, galerias e a vista para o lago. À saída, as ruelas do centro antigo levam ao templo Jagdish, de 1651, no coração da cidade, que se visita pela escadaria de pedra. As lojas em volta vendem miniaturas, tecidos e prata.
Um passeio de barco no Pichola. É a visita que define a cidade. Os barcos saem de embarcadouros junto ao palácio, contornam as ilhas e passam diante das fachadas brancas. O fim da tarde é a melhor hora, com os palácios dourados de luz. Há restaurantes em uma das ilhas, e o almoço ali dá a vista de volta do City Palace e das colinas.
Jardins e miradouros. O Saheliyon ki Bari, jardim do século XVIII com fontes e pavilhões, é um passeio tranquilo. O Palácio das Monções, no alto de uma colina a oeste, serve para o pôr do sol. O lago Fateh Sagar é bom para caminhar ao anoitecer.
Artesanato e miniaturas. Udaipur é conhecida pela pintura em miniatura, pelos bordados e pelos objetos de metal. Em ateliês e galerias, é possível ver o trabalho feito à mão, o que ajuda a distinguir peça artesanal de produção em série. O guia sobre compras e artesanato na Índia dá critérios.
Um detalhe para quem gosta de cinema: o filme de James Bond Octopussy, de 1983, foi rodado em parte ali, e alguns restaurantes ainda o exibem à noite.
Quando ir e como dosar os dias
De outubro a março é a melhor janela. Logo após a monção, que vai de julho a setembro, os lagos estão cheios e as colinas verdes. Em anos de chuva fraca, o nível cai, e o passeio de barco rende menos. De abril a junho o calor passa dos 40 graus, e o dia pede pausa à sombra.
Três dias é um bom desenho, porque a cidade não cobra pressa e o lago muda de cor entre a manhã e o fim da tarde, o que justifica voltar ao mesmo terraço duas vezes. O primeiro dia costuma ser de chegada e palácio, o segundo, de barco e jardins, e o terceiro, de compras e miradouros. Com dois dias, corta-se o terceiro. Com um só, fica-se com o palácio e o pôr do sol no lago.
Quem tem um dia a mais pode olhar além da cidade. A caminho de Jodhpur ou Jaipur, Ranakpur guarda um templo jainista de mármore claro do século XV, com cerca de 1.400 colunas esculpidas, todas diferentes. A uns 85 quilômetros ao norte, Kumbhalgarh tem uma muralha de mais de 30 quilômetros de extensão, entre as mais longas do mundo, que sobe e desce pelas colinas. Chittorgarh, a uns 115 quilômetros, é o maior forte do Rajastão. Cada um desses lugares soma de duas a três horas de estrada em cada sentido, e por isso vale decidir antes de chegar.
Udaipur é também um bom ponto de respiro. Depois de dias de estrada e de forte, a cidade permite fazer menos, e esse "menos" é parte do que ela oferece.
Erros comuns
- Medir Udaipur pelo número de monumentos. O valor está no conjunto: a luz sobre a água, o ritmo das ruas. Quem corre perde isso.
- Marcar o barco ao meio-dia. Com sol alto, a água reflete forte e a fotografia sai dura. Fim de tarde é melhor.
- Comprar a primeira miniatura que aparece. Há desde peças feitas à mão, pintadas com pincel finíssimo, até cópias impressas. Pergunte, compare e peça para ver o processo.
- Subir ao Palácio das Monções sem planejar a descida. Combine o carro de volta antes, porque o fim do dia traz fila.
- Não reservar tempo para sentar. Os terraços junto ao lago são um dos melhores programas da cidade, e eles ficam fora de qualquer lista.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Na Índia dos Marajás, Udaipur recebe três noites. O grupo chega de Ranakpur, a cerca de 100 quilômetros e duas horas de estrada, visita o City Palace e caminha pelas ruas antigas, onde fica o templo Jagdish. No dia seguinte faz o passeio de barco no lago Pichola, com almoço em um restaurante da ilha. No terceiro dia visita um empório de artesanato, o Ganesha Handicraft Emporium, e, no último, almoça no Taj Fateh Prakash Palace antes do voo para Delhi. É a parte mais lenta do roteiro. Quem quer ver como as jornadas se comparam pode ler Índia Sagrada ou Índia dos Marajás.