Jodhpur, a cidade azul: o forte, os mercados e como visitar
Jodhpur é a cidade do Rajastão onde o forte Mehrangarh domina uma planície de casas azuis. Dois dias cobrem o forte, o memorial de mármore, o palácio e os mercados.
Jodhpur pede dois dias: um para o forte Mehrangarh e o memorial Jaswant Thada, e outro para o bairro azul a pé e os mercados em torno da torre do relógio. É a cidade do Rajastão em que o monumento principal e a vida de rua mais se tocam, e o forte sozinho ocupa uma manhã inteira.
Jodhpur em fatos
Jodhpur fica no oeste do Rajastão, na borda do deserto de Thar, a cerca de 230 metros de altitude. Foi fundada em 1459 por Rao Jodha e foi a capital do reino de Marwar. A cidade velha se organiza em volta de uma rocha isolada, e sobre ela está o forte Mehrangarh, a mais ou menos 120 metros acima da planície.
As distâncias ajudam a pensar o trajeto. Até Jaisalmer são perto de 285 quilômetros, até Udaipur cerca de 250, e até Ranakpur uns 150. De Jaipur, a estrada é longa, em torno de 340 quilômetros, e por isso muitos viajantes escolhem o voo doméstico entre as duas cidades.
O clima é seco. De outubro a março os dias ficam por volta dos 25 graus e as noites são frescas. De abril a junho o calor passa dos 40 graus, e a monção, de julho a setembro, é mais leve que no litoral. A cidade é conhecida pela luz clara, e por isso também é chamada de "cidade do sol".
O forte e o que há em volta
Mehrangarh. É um forte-palácio de muralhas altas, com portões em sequência, pátios e salas de recepção. O museu guarda palanquins, tronos, armas, tendas e miniaturas, e as janelas de pedra rendada abrem para o mar de telhados azuis. A subida pela rampa é íngreme; costuma haver elevador para parte do trecho, e vale confirmar na hora. Reserve de duas a três horas.
Jaswant Thada. O memorial de mármore branco, do fim do século XIX, fica a poucos minutos do forte, entre jardim e lago. As lâminas finas do mármore deixam passar a luz, e a pedra parece mudar de cor durante o dia. É uma visita de meia hora, que fica melhor no fim da tarde.
Umaid Bhawan. O palácio de arenito, concluído em 1943, está no alto de uma colina fora da cidade velha. Parte segue como residência da família real, parte funciona como hotel e parte como museu. Quem quer entrar deve consultar as áreas abertas à visita antes de ir.
O bairro azul e os mercados. Aos pés do forte, as casas pintadas de azul-claro formam um labirinto de ruelas que se explora a pé, com guia ou sem. A cidade tem explicações populares para a cor, nenhuma confirmada, e o que se vê é o efeito: no fim do dia, o azul fica mais intenso. O Sardar Market, ao redor da torre do relógio, vende especiarias, tecidos tingidos, sapatos de couro e antiguidades. Na região, vale provar o mirchi bada, pimentão frito em massa, e o makhaniya lassi, de iogurte e açafrão.
Para dar descanso aos pés, o poço escalonado Toorji Ka Jhalra, restaurado, fica a poucos passos do mercado.
Quando ir e quantos dias ficar
Outubro a março é a janela natural, com céu limpo e temperaturas boas para subir ao forte. Em dezembro e janeiro, as manhãs pedem um agasalho. De abril a junho, o ideal é visitar cedo e voltar ao hotel no meio do dia.
Dois dias é a medida certa. Com um só, escolhe-se entre o forte e o bairro azul. Com três, há tempo para o palácio, o poço e uma caminhada sem compromisso. A cidade também funciona como base para ir a Ranakpur ou a Jaisalmer, mas isso soma estrada.
Na prática, os dois dias se desenham assim. O primeiro começa cedo no forte, desce à tarde pelo bairro azul e termina num terraço com vista para a muralha iluminada. O segundo reúne o memorial de mármore, o palácio na colina e, à tarde, o mercado em volta da torre do relógio, onde se compra o que sobrou da lista de lembranças. Entre um e outro, o almoço pode ser simples: um prato de lentilhas com pão no estilo do Rajastão e um copo de lassi bastam.
Quem viaja com pouca disposição para subir deve poupar as pernas para o forte. As ruelas do bairro azul têm degraus irregulares, e o calçado fechado faz diferença.
Erros comuns
- Deixar o forte para o meio-dia. A pedra esquenta, os grupos se acumulam, e a vista fica mais dura. A primeira hora do dia rende mais.
- Tratar o bairro azul como cenário. Há gente morando ali. Pedir licença para fotografar portas e pessoas, e não entrar em pátios sem convite, é regra básica.
- Comprar antiguidades sem desconfiar. Peças antigas legítimas pedem nota e conhecimento; cópias bem-feitas são comuns. Para presentes, tecidos, especiarias e sapatos de couro são escolhas mais seguras.
- Imaginar que dá para cobrir Jodhpur em meio dia. Chegar do aeroporto, subir ao forte e jantar fora é possível, mas deixa de lado o que a cidade tem de melhor, o ritmo do mercado.
- Esquecer de água e protetor solar. A secura do ar engana: a sede só chega depois.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Na Índia dos Marajás, Jodhpur recebe duas noites. No oitavo dia o grupo chega de avião vindo de Jaipur e faz um passeio a pé pelas ruas azuis. No nono, visita o memorial Jaswant Thada, o forte Mehrangarh e o Palácio Umaid Bhawan. No décimo, segue de ônibus privativo para Ranakpur, a cerca de 150 quilômetros e três horas de estrada. O ritmo é o de um dia para a cidade antiga e outro para os grandes monumentos, com condução em português. Quem quer ver a vizinha mais calma encontra Udaipur logo adiante no roteiro.