Outubro abre a temporada de viagens na Índia. A monção passou, o céu do norte está limpo e o Himalaia vive uma janela breve antes da neve. Delhi fica entre 19 °C e 33 °C. O sul ainda tem chuva, e o ar das planícies começa a pesar no fim do mês.
Por que outubro é uma abertura, e não um pico
Outubro não é o mês mais fresco nem o mais seco do ano. É o mês em que as condições mudam de sinal. Os números mostram bem a virada:
- Delhi: entre 19 °C e 33 °C, com chuva abaixo de 20 mm. A diferença entre o dia e a noite já se sente.
- Rajastão: cerca de 34 °C de dia e 18 °C à noite. A tarde ainda é quente para caminhar em fortes sem sombra.
- Calcutá e leste: chuva em retirada, ar carregado de umidade e festas grandes.
- Sul, de Kerala a Chennai: é aqui que aparece a monção de nordeste, a segunda do ano. Outubro e novembro são os meses de chuva mais forte em boa parte de Tamil Nadu.
A consequência prática é clara: para o norte, outubro funciona. Para o sul, é melhor esperar dezembro. A comparação com Índia em novembro e Índia em setembro ajuda a calibrar.
Himalaia: a janela que não dura
É em outubro que o Himalaia se mostra com mais clareza. Passada a monção, o ar fica transparente, as montanhas aparecem de ponta a ponta e as bandeiras de oração são agitadas pelo vento. As noites já são frias, e as passagens mais altas se preparam para a neve.
Cada um dos três países da cordilheira que a casa percorre tem o seu momento:
- Ladakh, na Índia: Leh fica perto de 3.500 metros. O Lago Pangong, a cerca de 4.350 metros, é o ponto mais alto da viagem. As noites congelam, e o dia de sol é intenso. Ladakh é o trecho mais exposto à chegada do inverno, e as estradas de entrada fecham aos poucos conforme a neve avança.
- Vale de Kathmandu, no Nepal: o céu limpo permite o voo panorâmico sobre a cordilheira, que sai de manhã cedo, quando a visibilidade é melhor.
- Butão: o Dochula Pass, a 3.050 metros, com seus 108 chortens, e o caminho até o Mosteiro de Taktsang, a 3.120 metros, ganham a clareza que a estação oferece.
Um detalhe do Nepal: o Dashain, a maior festa nacional, costuma cair entre setembro e outubro, e dura vários dias. Bancos, lojas e escritórios fecham, e as estradas lotam de gente voltando para casa. É interessante de ver e exige margem no roteiro.
As festas de outubro
Outubro é um dos meses de calendário mais cheio. Todas as datas seguem o calendário lunar e mudam a cada ano.
- Dussehra, no norte. Em Delhi e em cidades do norte, bonecos gigantes de papel e bambu, de dez ou quinze metros, são armados em parques e queimados à noite diante de multidões. Em dias anteriores, há teatro de rua em bairros inteiros.
- Durga Puja, em Calcutá. Durante alguns dias, a cidade se enche de pavilhões temporários, feitos por bairros e por associações, cada um com uma estrutura diferente e todos com iluminação elaborada. O trânsito muda, e a circulação a pé vira a forma mais fácil de se mover. Veja Calcutá.
- Diwali. Pode cair no fim de outubro ou em novembro. As casas e as lojas se enchem de lamparinas e de luzes, os doces tomam as vitrines e o céu se enche de fogos. Os dias seguintes costumam ter ar pior nas cidades do norte.
- Feriado de 12 de outubro, no Brasil. Costuma ser o primeiro a puxar as datas de viagem do ano, o que aperta voos e hotéis.
Para uma visão geral, leia festivais da Índia ao longo do ano.
O que ainda atrapalha
Nem tudo em outubro é favorável. Vale prever:
- Calor do meio-dia nas planícies e no Rajastão. Os passeios a céu aberto rendem melhor de manhã e no fim da tarde.
- Chuva no sul, que atrapalha praias, barcos e canais.
- Multidão de feriado em torno das festas, com trens e voos cheios.
- Qualidade do ar, que começa a piorar em Delhi no fim do mês e fica mais pesada em novembro.
- Parques de fauna: reabrem no início de outubro, em geral, e as primeiras semanas ainda podem ter trilhas molhadas. Não há promessa de avistamento.
Como encaixar outubro numa viagem
Quem monta uma viagem em outubro leva vantagem se concentrar o norte e o Himalaia, deixando o sul e as praias para dezembro. Dois dias de margem entre a chegada e o primeiro deslocamento longo ajudam com o fuso. Quando houver Ladakh no roteiro, o primeiro dia deve ser de descanso. O guia de ritmo e caminhadas e o guia de transporte completam a preparação.
O Rajastão em outubro
O deserto também desperta em outubro. As máximas ainda chegam a 34 °C, mas as noites de 18 °C já devolvem o fôlego, e a chuva praticamente sumiu. Os fortes de Jodhpur e Jaisalmer têm a luz baixa do fim da tarde, que dourava o arenito. Jaipur e Udaipur ficam com poucos turistas no começo do mês, antes que a temporada pegue ritmo. O truque é o de sempre: visitas a céu aberto de manhã cedo, almoço longo e retorno ao fim da tarde.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Outubro é a janela para a qual foi desenhada A Terra dos Himalaias: 23 dias por Índia, Nepal e Butão, passando por Leh, pelo Lago Pangong, pelo Vale de Kathmandu, por Pokhara e pelo Ninho do Tigre, no ritmo que a altitude pede. A Govinda a pensou para o instante de equilíbrio entre o fim das chuvas e a chegada do inverno às altas montanhas. Quem prefere o norte histórico, com Delhi, Varanasi, Agra, Jaisalmer e Rishikesh, pode conhecer Índia Sagrada, desenhada para o inverno ameno. Veja as datas dentro de cada roteiro.