Setembro é o mês de virada da Índia. A monção recua do norte a partir da segunda quinzena, a chuva despenca e o ar fica mais limpo, mas a primeira metade ainda é de céu fechado e estrada molhada. Quem escolhe setembro costuma fazê-lo pela segunda metade, pela paisagem lavada e pelas festas. Para cidades históricas, outubro segue mais seguro.
Duas metades, duas viagens
A melhor maneira de ler setembro é cortá-lo no meio.
Primeira quinzena. Delhi chega perto de 34 °C, com chuva ainda na casa de 120 mm no mês e umidade em torno de 70%. O calor úmido incomoda mais do que em agosto, porque o ar parado volta e a nuvem rareia. As estradas de montanha de Himachal e Uttarakhand continuam sujeitas a deslizamentos, embora o ritmo de interdições caia.
Segunda quinzena. A monção deixa o noroeste e o ar começa a ficar limpo. Em Delhi, a chuva do mês cai de cerca de 120 mm para perto de 20 mm no fim. O céu ganha o azul profundo que antecede a temporada, e o campo está no verde mais intenso do ano. É nesse trecho que o mês vale o convite.
O sul tem seu próprio ritmo. Kerala e a costa ocidental seguem com chuvas mais fracas, e a costa sudeste espera uma segunda onda de monção, a que chega no fim do ano.
As festas de setembro
Setembro concentra festas de rua, não de templo fechado, e isso muda a viagem.
- Ganesh Chaturthi, em Mumbai. Dura dez dias e é a grande festa da cidade. As ruas ficam cobertas de palcos e de esculturas coloridas de todos os tamanhos, o som é permanente e as procissões das noites finais param bairros inteiros. Visitar Mumbai nesses dias é possível, mas exige paciência com o trânsito e com a multidão.
- Onam, em Kerala. A festa da colheita cai entre o fim de agosto e setembro. Os pratos de folha de bananeira e os desenhos de flores no chão das casas são sua marca. Em Kerala também acontecem as regatas de barcos longos nos canais.
- Início do Navaratri. Em alguns anos, o ciclo de nove noites começa no fim de setembro, e as cidades se preparam: bonecos gigantes de papel são armados em lotes vazios, e os teatros de rua ensaiam. Em Calcutá, os pavilhões temporários da festa de outubro começam a ser erguidos.
Todas essas datas seguem o calendário lunar e mudam a cada ano. Confira-as antes de reservar qualquer passagem.
O que reabre, o que fecha
Setembro é o mês de mudança de turno nas atrações:
- Parques de fauna: as áreas centrais da maioria dos parques nacionais ficam fechadas durante a monção e costumam reabrir no começo de outubro. Confirme a data do ano. Isso não é promessa de avistamento de qualquer animal, que depende sempre da sorte.
- Ladakh: ainda em temporada no início do mês. Leh costuma sediar, em setembro, um festival da região com danças e músicas locais, em formato que muda a cada edição. O frio das noites cresce, e as passagens de montanha começam a se preparar para o inverno.
- Estradas de montanha: voltam a funcionar com mais regularidade no fim do mês, mas ainda podem fechar de repente.
- Praias de Goa: os bares sazonais seguem desmontados. A temporada ali abre mais para o fim do ano.
A paisagem de setembro
Setembro tem uma qualidade visual que nenhum outro mês repete. A poeira foi lavada por três meses de chuva, e o ar da segunda quinzena é transparente. No Rajastão, as colinas dos Aravalis estão verdes, os lagos de Udaipur estão cheios e o Lago Pichola chega ao nível mais alto do ano. Em Jaipur, o Forte Amber se destaca contra um céu azul-escuro, sem a bruma do inverno.
Quem sobe a Ladakh no começo do mês encontra os últimos dias de temporada: o Lago Pangong, a cerca de 4.350 metros, ainda está acessível, mas as noites já descem a temperaturas negativas. O primeiro dia em Leh continua sendo de descanso, e o casaco de pluma deixa de ser opcional.
Como montar uma viagem em setembro
Quem tem setembro como único mês disponível ganha em seguir uma regra simples: deixar o que depende de céu aberto para o fim do mês. Isso inclui o Taj Mahal ao amanhecer, os palácios de Jaipur e as cidades do deserto. Para o início do mês, é melhor reservar o que se faz em ambiente fechado, como museus, bazares e cozinha local.
Uma segunda regra: aceitar que o primeiro terço da viagem pode ter atrasos. Dê folga entre voos e trens, e prefira deslocamentos curtos. O guia de transporte na Índia explica como os trens e os voos domésticos se comportam em época de chuva.
Uma terceira: calçar-se para o molhado. A segunda quinzena é seca, mas a primeira mantém poças, e a sandália fechada resolve as duas.
Se a viagem tiver Mumbai no meio, vale conferir o calendário da festa de dez dias antes de reservar o hotel, porque os bairros centrais mudam de ritmo e o deslocamento entre eles demora mais.
Erros comuns
O erro mais frequente é tratar setembro como se fosse outubro. Os dois meses estão próximos no calendário, mas a Índia de setembro ainda está saindo da monção, e a de outubro já está dentro da temporada. Quem entende a diferença decide melhor. Para comparar, leia Índia em outubro e Índia em agosto.
O segundo erro é esperar o inverno do Rajastão em setembro. As máximas ficam perto de 34 °C, e o deserto não esfria à noite como em dezembro.
Onde isso entra numa jornada Govinda
As jornadas da casa não foram desenhadas para setembro. A mais próxima é A Terra dos Himalaias, que percorre Índia, Nepal e Butão em 23 dias e foi pensada para quando as chuvas se despedem das altas montanhas e o inverno ainda não chegou. Setembro está no começo dessa janela, e o que a casa descreve para ela é o outono do Himalaia, não a virada de monção das planícies. Conheça a jornada e veja as datas no próprio roteiro.