As três jornadas da Govinda na Índia pedem esforços diferentes. A Índia Sagrada tem ritmo de cidade, com voos entre as etapas; a Índia dos Marajás tem mais estrada e fortes em colinas; a Terra dos Himalaias é a única com altitude séria. Nenhuma é trekking, e todas têm tempos livres e condução em português.
Como ler o "esforço" de uma jornada
Falar em esforço físico em abstrato ajuda pouco. Quatro coisas medem o quanto uma jornada exige do corpo:
- Deslocamento: horas de ônibus ou estrada entre as cidades, e número de voos.
- Caminhada: quanto se anda a pé nas visitas, e em que piso (escada de pedra, rampa, calçada).
- Altitude: em que metros se dorme e se passa o dia.
- Calendário do dia: saídas cedo, dias seguidos de visita e pausas.
A ficha numérica de esforço e de altitude máxima de cada jornada ainda não está publicada no cadastro, e por isso os números abaixo vêm do texto de cada roteiro. Para o que falta, a pergunta é para a casa.
Índia Sagrada: ritmo de cidade, estrada curta
A jornada percorre Delhi, Varanasi, Vrindavan, Agra, Jaisalmer e Rishikesh em 21 dias. O deslocamento terrestre mais longo é de cerca de 220 km, em torno de quatro horas, entre Agra e Delhi; os demais trechos de ônibus têm cerca de 170 km (três horas), 70 km (duas horas) e 15 km (meia hora). Entre as etapas distantes, voa-se: Delhi a Varanasi, Delhi a Jaisalmer, Jaisalmer a Rishikesh e Rishikesh a Delhi.
A caminhada está nas cidades. Em Varanasi, a manhã é uma caminhada pelos ghats, as escadarias de pedra que descem ao rio. Em Old Delhi, o passeio é de riquixá. Em Jaisalmer, a visita ao Forte Dourado é pelas ruelas de um forte habitado, e a tarde seguinte traz as dunas do deserto de Thar, com safári de camelo. Em Rishikesh, a visita à caverna Vashishta envolve uma subida às montanhas, o ponto de maior esforço do roteiro.
O descanso vem embutido: o dia da chegada a Delhi é de repouso, e a jornada termina com dois dias de spa ayurvédico com yoga, massagens e dieta balanceada.
Índia dos Marajás: mais estrada, fortes em colinas
A jornada liga Delhi, Agra, Jaipur, Jodhpur, Ranakpur e Udaipur, com 18 dias segundo o cadastro. É a mais rodoviária das três. Os trechos de ônibus privativo têm cerca de 240 km e quatro horas (Delhi a Agra), 200 km e três horas (Agra a Jaipur), 150 km e três horas (Jodhpur a Ranakpur) e 100 km e duas horas (Ranakpur a Udaipur). Dois trechos são de voo: Jaipur a Jodhpur e Udaipur a Delhi.
O corpo é mais exigido em fortes e palácios, que ficam em colinas, com rampas, escadas e pátios amplos: o Forte Amber e o City Palace em Jaipur; o Forte Mehrangarh e o memorial Jaswant Thada em Jodhpur, onde ainda há uma caminhada pelas ruas azuis na chegada; o Templo Jain de Ranakpur; e o City Palace de Udaipur. Em compensação, há dias mais suaves: o passeio de barco no Lago Pichola, o almoço no restaurante da ilha, o dia dedicado ao artesanato.
O primeiro dia em Delhi é livre, para o descanso e a adaptação ao fuso. Em janeiro, o inverno é ameno e o Rajastão deixa de ser quente demais para caminhar.
Terra dos Himalaias: o ritmo que a altitude pede
É a jornada mais longa, com 23 dias, e a única em que a altitude pesa. Os números do roteiro:
- Leh, em Ladakh, está a 3.500 metros; a tarde da chegada é reservada à ambientação.
- O percurso a caminho do lago Pangong passa pelo Chang-la Pass, a 5.360 metros, de passagem, em cerca de cinco horas de ônibus privativo.
- A noite no acampamento do lago Pangong é a 4.350 metros.
- O Butão começa em Paro, a 2.235 metros. O Dochula Pass fica a 3.050 metros, e o mosteiro Taktsang, o Ninho do Tigre, a 3.120 metros, com uma caminhada de subida.
No Nepal, o ritmo muda: em Pokhara, o roteiro oferece duas opções no mesmo dia, uma caminhada de nível médio até o Australian Camp, com vista da cordilheira, ou uma vivência cultural mais leve, com visita ao Campo Tibetano e compras. O princípio é respeitar ritmos diferentes dentro do mesmo grupo.
Altitude não é força de vontade, é fisiologia, e quem tem qualquer questão de coração, pressão ou respiração deve conversar com o médico antes de decidir. A Govinda não faz recomendação médica. Os textos sobre Leh e Ladakh e sobre o lago Pangong detalham o cenário.
O que cansa de verdade
Em qualquer jornada, o cansaço raramente vem só das caminhadas. Quatro fatores se somam:
- O voo e o fuso. São oito horas e meia à frente de Brasília, e a chegada costuma ser de madrugada.
- A manhã cedo. Visitas a monumentos e a rios pedem saídas antes do calor e das filas.
- O calor e a poeira, que variam com a estação; veja quando ir à Índia.
- O estímulo contínuo. Ruído, cheiro, gente e trânsito cansam a cabeça antes das pernas.
O guia jet lag e ritmo na Ásia trata dos primeiros dias. Para quem busca olhar a questão pela idade, há o texto Índia depois dos 50.
Como se preparar
Caminhar com regularidade nas semanas anteriores, incluindo escadas e subidas, é a preparação mais eficiente para qualquer das três. Calçado fechado, de solado firme e já amaciado, protetor solar, chapéu, água na bolsa e roupas em camadas completam a lista. Para a jornada de altitude, a conversa com o médico vem antes de tudo, inclusive para saber se há cuidados específicos para você.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Quem quer a Índia clássica, com templos, rio, fortes e deserto, e ritmo mais concentrado em cidades encontra a Índia Sagrada. Quem prefere palácios, fortes e lagos do Rajastão, com mais tempo de estrada, encontra a Índia dos Marajás. Quem busca montanha, mosteiros e altitude, e aceita o ritmo que ela pede, encontra a Terra dos Himalaias. As três têm condução em português, guias locais com tradução e assistência 24 horas. A escolha entre elas costuma depender de dois fatores: o quanto de estrada e escada você aceita no dia a dia e se a altitude está no seu horizonte. Em caso de dúvida, a casa descreve um dia típico de cada jornada.