Fatehpur Sikri: a cidade imperial abandonada perto de Agra
Fatehpur Sikri foi a capital do imperador Akbar por pouco mais de uma década e depois ficou quase intacta. Fica a 40 km de Agra e pede meio dia de visita.
Fatehpur Sikri fica a cerca de 40 quilômetros a oeste de Agra e pede meio dia de visita, de duas a três horas no conjunto. Foi a capital do imperador mogol Akbar por pouco mais de uma década, e depois foi deixada. Essa interrupção preservou palácios, pátios e uma grande porta em arenito vermelho.
Fatehpur Sikri em fatos
A cidade foi iniciada em 1571, por ordem de Akbar, o terceiro imperador mogol, e serviu de capital até cerca de 1585. Depois disso a corte voltou a Agra e, mais tarde, seguiu para Lahore. A explicação mais citada para o abandono é a falta de água no local, e ela segue como hipótese, não como certeza. O resultado é um conjunto de arenito vermelho que quase não foi reocupado nem transformado.
O lugar consta da lista da Unesco desde 1986 e, junto com o Taj Mahal e o Forte de Agra, forma o trio de obras mogóis da região. A mistura de tradições aparece em todo o conjunto: colunas e vãos com entalhes de origem hindu, cúpulas e arcos da tradição islâmica.
Do ponto de vista prático, o conjunto se divide em duas partes: o palácio imperial, de pátios e salões, e a mesquita, onde ficam a Buland Darwaza, o grande portal de cerca de 54 metros, e o túmulo de mármore branco de um mestre sufi venerado. O acesso ao túmulo e à mesquita segue regras de comportamento, com cabeça coberta, ombros e joelhos cobertos e calçado retirado.
O que ver
O palácio imperial. É a parte mais fácil de ler. O Diwan-i-Khas, salão das audiências privadas, tem uma coluna central esculpida de onde partem passarelas. O Panch Mahal, edifício de cinco andares que diminui a cada nível, funcionava como pavilhão aberto ao vento. O pátio do Pachisi, marcado como um tabuleiro de jogo, completa a imagem de uma corte que se divertia.
As residências. O palácio atribuído a Jodha Bai, esposa de Akbar, tem pátio amplo e telhados de azulejo verde-azulado. Perto dele fica a casa de Birbal, um conselheiro, com ornamentos esculpidos.
A mesquita e a Buland Darwaza. A porta monumental sobe 54 metros e foi erguida para comemorar uma vitória militar de Akbar, em 1573. Vista do pátio, parece maior ainda. A mesquita funciona como lugar de culto, o que pede discrição.
O túmulo de mármore. Entre as sombras de arenito, a pequena construção branca, com treliças finíssimas, é uma das imagens mais lembradas. Quem quer entrar deve se informar do que é permitido.
Fora do conjunto. Pouco além do palácio ficam o Hiran Minar, uma torre cravejada de pontas de pedra que lembram presas, e o grande tanque do Anup Talao, hoje seco ou com pouca água. Nas ruelas da aldeia ao pé da colina, o ritmo é o de uma pequena cidade do interior, com oficinas de pedra e lojas de tecidos. Quem tem uma hora sobrando faz bem em caminhar por ali, sem pressa.
O que ver em ordem. A sequência mais natural começa pelo palácio, que fica melhor com a luz da manhã, segue para a mesquita e o túmulo, e termina na Buland Darwaza, de onde se tem a vista de toda a planície. Subir os degraus da porta é cansativo, e vale reservar fôlego para isso.
Como chegar e como encaixar
A viagem de Agra leva de uma hora a uma hora e meia de carro, conforme o trânsito. Como fica a oeste de Agra, na direção do Rajastão, a visita pode ser combinada com o trajeto até Jaipur, ao custo de algumas horas a mais na estrada.
Dentro do conjunto, os veículos não entram até a porta, e o trecho final se faz a pé, em estacionamento afastado ou em microônibus de linha. O caminho de ida e volta soma uma caminhada de alguns quilômetros em dia de visita completa, o que pesa para quem sente os joelhos.
Há três modos honestos de encaixar a visita. O primeiro é no trajeto entre Agra e Jaipur, que soma duas ou três horas ao dia. O segundo é como meio dia saindo de Agra, de manhã cedo. O terceiro é na volta, no fim de um dia de Taj Mahal, o que quase sempre cansa.
O melhor horário é o início da manhã, com sombra e menos gente. O melhor período vai de outubro a março, com dias claros. De abril a junho o arenito esquenta muito, e de julho a setembro as chuvas deixam o piso liso. O guia sobre transporte na Índia dá noção dos tempos de estrada.
Erros comuns
- Ir sem pensar em abordagens. Na entrada e nas ruas de acesso, vendedores e guias não credenciados se aproximam. Combinar condutor e roteiro antes evita pressão.
- Tratar o lugar como "mais um forte". Ele é uma cidade palaciana, e a leitura é diferente: salões, pátios, jardins e residências, em vez de muralhas e canhões.
- Ir ao meio-dia no verão. O arenito vermelho irradia calor, e a visita vira prova de resistência.
- Cobrir pouco o corpo. A mesquita e o túmulo pedem ombros e joelhos cobertos. Um lenço grande resolve.
- Deixar a água no carro. O percurso dentro do conjunto é a pé, de ponta a ponta, em piso irregular.
Onde isso entra numa jornada Govinda
Aqui vale clareza. Os textos de roteiro da Índia dos Marajás e da Índia Sagrada passam por Agra, com o Forte de Agra e o Taj Mahal, mas não descrevem uma visita a Fatehpur Sikri. Na Índia dos Marajás, o sexto dia segue de Agra a Jaipur em ônibus privativo, a cerca de 200 quilômetros e três horas de estrada. Quem quer incluir Fatehpur Sikri, portanto, não o encontra nesses roteiros, e vale conversar com a equipe antes de decidir. As duas jornadas servem para quem quer conhecer o cenário mogol de Agra e, na primeira delas, o Rajastão em seguida.