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A Dança das “Gopis” de Krishna

As conhecidas Gopis de Krishna abundam na teologia vaishnava e são as pastoras notórias pela devoção incondicional a Krishna como são descritas em textos como a literatura purânica. Devotas maravilhosas de Krishna, permanecem rendidas ao Senhor e se considera que elas próprias se fundem com Krishna em amor intenso bhakti.

Certa vez Krishna tocou sua flauta numa noite de lua cheia e as Gopis correram rapidamente para onde estava o Amado delas.  Mantinham suas mentes absortas Nele e esqueciam tudo enquanto ouviam o som da flauta de Krishna. 

Férteis são as narrações da atração e rendição delas, representando o coração do devoto que almeja o Amor divino. O devoto se mantém focado dia e noite no Amado sempre girando em torno Dele. 

A tradição vaishnava foi fortemente influenciada pela cultura do sul da Ásia através da música, dança e arte. Assim também encontramos como uma das manifestações do amor das Gopis, a dança. Marcada pela espontaneidade e a alegria que brota de dentro, muitas mulheres devotas se reúnem em kirtans e expressam seu fervor na maioria das vezes cobrindo o rosto com seus sáris coloridos como gesto reverencial. 

Meera bai, grande poetisa mística hindu e devota de Krishna do séc. XVI escreveu: 

Estou louca de amor
E ninguém entende minha situação.
Somente os feridos
Entende as agonias dos feridos,
Quando o fogo explode no coração.
Apenas o joalheiro sabe o valor da joia,
Não é aquele que o deixa ir.
Na dor eu vago de porta em porta,
Mas não consegui encontrar um médico.
Diz Mira: Harken, meu Mestre,
A dor de Mira vai diminuir
Quando Shyam vem como o médico.” 

Meera bai

Danca da Rasa

Em outro conto, nas margens do rio Yamuna, o Senhor Govinda então iniciou o passatempo da Dança da Rasa em companhia daquelas joias dentre as mulheres, as fiéis Gopis, que alegremente se deram os braços. A festiva dança da Rasa começou, com as Gopis dispostas em círculo. 

 O senhor Krishna expandiu-se em numerosas formas e entrou no meio de cada par de Gopis, e como o mestre do poder místico, colocou os braços ao redor dos pescoços delas, fazendo com que cada moça pensasse que ele estava apenas ao seu lado. Cada uma apenas O via com ela, juntos envolvidos na dança mística, símbolo da união do Amor puro. 

Neste passatempo se expressa a incondicionalidade do Amor que se expressa no coração do devoto e toma expressão em seu desejo de se colocar aos pés de seu Amado. De estar com ele e render-lhe as glórias das pequenas coisas. De ver em cada ato uma possibilidade de transfigurar o gesto, de torná-lo o colo aconchegante da mãe que acalenta e o abraço do amante solícito. 

A dança da Rasa coloca dentro de cada um a alegria aprazível, atravessando as fronteiras do egocentrismo e da separatividade, aonde emerge o fruto da percepção de que apenas Um pode abarcar a força e a completude do que sem este sentido de união não se pode dar conta. 

Krishna, como expressão do Amor, multiplica o que se lhe oferece e retribui infinitamente da forma mais cara. Olha a cada um, com o olhar exclusivo que brinda o brilho regozijante que apenas sente-se olhado, aquele que igualmente vê ao Senhor nas suas múltiplas expressões. 

Por Maria Beatriz C. de Oliveira 

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