Arunachala

E nossa Jornada no Sul da Índia, seguindo os passos dos Grandes Mestres, nos levam a um vilarejo, Tiruvannamalai, que poderia ser apenas mais uma simples cidade em meio a centenas de outras, desse país milenar, mas distinguiu-se entre todas, pois foi nesse lugar, situado aos pés do Monte Arunachala, que viveu um homem extraordinário, que deixou um legado de ensinamentos de Luz para a Humanidade. SRI RAMANA MAHARSHI (1878 — 1950). Hoje um dos lugares mais venerados do estado de Tamil Nadu.O termo “Thiru” significa grande e “Annamalai”  divina montanha e a palavra  A grande divina montanha.

Na cidade, está localizado um dos maiores templos da Índia, dedicado ao deus Shiva, Templo Arunachaleswara. É considerado como um dos cinco mais importantes na tradição hindu.

Esse templo representa a encarnação do deus Shiva como o elemento Fogo, representado pelo próprio “Lingam”.

O registro mais antigo conhecido sobre esse templo remonta a pelo menos 2.000 anos antes dos registros oficiais. Mas a atual estrutura data de aproximadamente 1.200 anos.
É um templo favorito das famílias para realização de casamentos porque os noivos vão receber as bênçãos de Shiva e Parvati.

Mestre Sri Ramana Maharshi morou no templo, tão logo chegou a cidade de Tirunnamavalai, em 1896, viveu lá por cerca de seis meses, até que se mudou para o pequeno templo de Gurumurthan. O templo também abrigou outros mestres reconhecidos e admirados.

Viagem ao Sul da Índia A Colina Arunachala
A Colina Arunachala

A Colina Arunachala

Ao longo dos séculos, muitos santos e yogues têm sido atraídos para Arunachala, muitas vezes morando em suas cavernas. Nos tempos modernos o grande Mestre de Arunachala foi Ramana Maharshi. Das palavras de Ramana:

“Uma colina magnética que atrai a alma, uma forma mística de dizer, volte-se para dentro e sua única realidade será revelada, e sua mente será levada ao caminho da auto-investigação.”

A vida de Sri Bhagavan ilustra o seu grande amor por Arunachala. Na Índia, há inúmeros locais sagrados para o Senhor Shiva, e muitos deles, mais conhecidos e populares do que Arunachala. Mas são ditos como moradas do Senhor Shiva no entanto Arunachala, é dito ser o próprio Shiva!

Portanto, para aqueles aspirantes, que buscam pôr fim à falsa aparência de dualidade, uma ajuda poderosa pode ser encontrada em Arunachala.

Sri Ramana Maharshi recomendava fortemente que os devotos circulassem a colina de Arunachala, especialmente em noites de Lua Cheia, repetindo mentalmente a frase, “Quem sou eu?” com um coração sincero, e segundo a tradição védica receberiam interiormente a resposta.

Subiremos na montanha, conhecendo as cavernas onde o Mestre morou durante muitos anos. Assim como faremos a circumbulação ao redor dela, conforme Ramana recomendava.

Viagem ao Sul da Índia Bhagavan Sri Ramana Maharshi
Bhagavan Sri Ramana Maharshi

Bhagavan Sri Ramana Maharshi (1878 – 1950)

Ramana era chamado pelos discípulos de “o Mestre do Silêncio” pois por inúmeras vezes sua mensagem era transmitida sem pronunciar nenhuma palavra.
Vivia de maneira absolutamente simples, vestindo apenas um tipo de calça indiana, sem camisa a maior do tempo, quer fosse inverno ou verão.

Mestre Vedanta, considerado um dos maiores sábios de todos os tempos, tornou-se conhecido no Ocidente especialmente através do livro “A Índia Secreta”, do jornalista e escritor inglês Paul Brunton, que retratou os ensinamentos de Ramana, transmitidos, na maioria das vezes, em silêncio absoluto aos seus discípulos.
Outro autor famoso que deu destaque à Ramana Maharshi foi Paramahansa Yogananda, na Autobiografia de um Iogue, ao visitá-lo durante seu regresso à India em 1935.

Outro famoso espiritualista que foi ao Ashram receber o darshan (benção) de Ramana foi Mahatma Gandhi, em busca de apoio para seu movimento de libertação da Índia.

Sri Ramana Maharshi foi o grande representante da sabedoria milenar da Índia no século XX. Isso não significa que ele foi um acadêmico dos textos sagrados, mas sim que viveu e mesmo personificou à perfeição tal sabedoria.

Na verdade, ele não escreveu nenhum livro, ensinava de forma direta.

Tamil Nadu
Tamil Nadu

História de Sua Vida…

Sri Ramana Maharshi nasceu no sul da Índia na região de Tamil Nadu e aos 16 anos, após uma experiência relacionada à sua própria morte despertou para o estado denominado de realização espiritual.

Abandonou sua casa e família e partiu como sadhu (peregrino) para a cidade de Tiruvannamalai, onde passou o restante da vida na montanha de Arunachala.
A princípio, viveu no grande templo de Arunachaleswara, permanecendo absorto em meditação, no saguão conhecido como o de “mil pilares”, de onde teve de se mudar, em razão das pedras que lhe eram atiradas por um bando de meninos que o viam imóvel no local.

Passou então a viver em um escuro vão no sub-solo do templo, mas os moleques cedo o descobriram, e continuaram a atirar-lhe pedras.

Teve de se mudar muitas vezes e passou a residir em vários outros santuários e locais adjacentes ao templo, como jardins, bosques e pomares.

Pouco a pouco foi subindo a montanha de Arunachala, onde viveu em diferentes cavernas e passou a ser conhecido como o “Maharshi” (grande sábio ou vidente), e “Bhagavan”, o Senhor.

Lenta e gradualmente, discípulos foram se reunindo à sua volta. Vinte e sete anos após a sua chegada a Tiruvannamalai, um “ashram” ou comunidade espiritual foi construído ao redor do túmulo de sua mãe, aos pés da Montanha Sagrada de Arunachala, onde passou a residir até o fim de seus dias.

Essa comunidade, chamada “Ramanashram”, tornou-se um local mundialmente conhecido, para onde se dirigiam (e ainda se dirigem, em número crescente) buscadores espirituais de diversas origens religiosas.

Viagem ao Sul da Índia Ashram Ramana
Ashram Ramana

Seus ensinamentos, magistralmente simples, profundos e lúcidos, estão registrados em grande número de livros.

Diversos autores escreveram sobre ele; entre outros, Arthur Osborne, em “Ramana Maharshi e o Caminho do Autoconhecimento”, Mouni Sadhu em “Dias de Grande Paz”, Carl Jung, a pedido de Heinrich Zimmer, Somerset Maugham, em “O Fio da Navalha”, William Stoddart, em “O Hinduísmo”, Mateus Soares de Azevedo em “Ye shall know the truth: Christianity and the Perennial Philosophy” (EUA, 2005), David Godman, Sadhu Om, H. Poonja, Maha Krishna Swami.

Sua presença, que irradiava uma grande paz, tornando fácil e natural a convivência na comunidade, inclusive com os animais selvagens que habitavam a montanha, atraiu milhares de pessoas a Arunachala.
A essência dos seus ensinamentos é o “Vichara” (self-enquiry), ou investigação direta interior, por meio dos questionamentos: “Quem sou eu?” e “De onde surge o pensamento ‘eu’?”, para a descoberta da Verdade, Paz ou Bem-Aventurança.

Afirma-se que, no momento em que Sri Ramana faleceu, 14 de abril de 1950, um magnífico astro, majestosa e lentamente, cruzou os céus da Índia, sendo visto em grande parte do país por inúmeras pessoas, que espontaneamente compreenderam o evento que ele anunciava.

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